O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola volta a depor hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Proer, a partir das 14 horas. A reconvocação foi pedida após denúncia de José Eduardo Andrade Vieira, ex-controlador do Bamerindus, que atribuiu ao BC a responsabilidade pela quebra do banco. O ex-banqueiro acusa a diretoria do BC de ter incentivado os boatos que levaram à onda de saques e à consequente intervenção no banco em março de 1997.

''A situação do Bamerindus era muito diferente das do Econômico e Nacional. Nossa situação patrimonial era positiva. Passamos a enfrentar dificuldades com a onda de boatos que nasciam dentro do Banco Central'', garantiu Vieira. Ele alega que o BC não permitiu que o Bamerindus adotasse medidas para se recuperar, ao proibir que a Caixa Econômica Federal adquirisse sua carteira de crédito imobiliário por R$ 1,2 bilhão.

Após a intervenção, a Caixa adquiriu a carteira imobiliária, com recursos do Proer, por R$ 2,5 bilhões. Em outra tentativa, o BC não autorizou a participação do leilão do Banco Meridional, que utilizaria créditos que tinha junto ao Governo, de R$ 3,4 bilhões.

O ex-controlador argumenta que o Bamerindus enfrentou, durante meses, saques diários de quase R$ 7 milhões entre os anos de 1995 e 1996. Ainda assim, Vieira sustenta que o custo para o saneamento do Bamerindus teria sido bem menor (R$ 500 milhões) seis meses após o início dos boatos, ou de R$ 700 milhões, na época da intervenção.

Mas a principal crítica de Andrade Vieira é dirigida às condições oferecidas pelo governo para que o HSBC adquirisse o Bamerindus. ''Além de não desembolsar nada, o banco inglês recebeu recursos públicos para adquirir uma instituição que ocupava a sexta colocação entre os bancos privados.'' Em janeiro de 1996, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, segundo Vieira, teria pedido autorização para negociar a venda do Bamerindus com o HSBC. O banco inglês, segundo essa versão, não aceitou o negócio.

Vieira desconfia que o HSBC já tinha informações de que negociaria a aquisição do Bamerindus diretamente com o BC. A CPI chegou a cogitar uma acareação entre Loyola e Andrade Vieira, mas acabou optando pela reconvocação. O depoimento de Malan está previsto para quinta-feira.

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