O lotérico Gerson Luiz Miola, de 37 anos, não acredita que o irmão, o jardineiro Ozório Benato Miola, que morreu em abril, em Curitiba, foi vítima de queima de arquivo. Ozório teve a identidade usada por empresários investigados no esquema de desvios da Prefeitura de Londrina. O nome dele aparece como dono de três empresas. ''Na minha opinião, uma coisa não tem nada a ver com a outra'', disse Gerson, que mora em Curitiba.

A promotora da 3 Vara Cível de Londrina, Solange Vicentin, investiga as circunstâncias da morte do jardineiro. O atestado de óbito registra apenas que ele teve ''broncopneumonia e miocardite aguda (compatível com septicemia)''. O documento pede exames complementares para esclarecer a morte. Gerson disse que Ozório foi para o hospital ao sofrer uma queda em casa.

''O meu irmão tinha problemas de nervos e numa dessas crises ele sofreu uma queda e bateu com a cabeça no chão'', contou Gerson. Ele permaneceu dez dias no Hospital Cajuru, em Curitiba, e morreu no dia 19 de abril. Durante a internação, Gerson contou que ele e uma irmã procuraram saber como o jardineiro se feriu. ''A gente até perguntou se alguém o agrediu, mas ele nunca falou nada disso.''

Gerson soube ontem, pela Folha, que a morte do irmão está sendo investigada. ''Podem investigar, mas acho que nada vai ser encontrado. Cerca de um mês e meio antes de sofrer a queda fatal em sua casa, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), periferia da Capital, Gerson declarou que o irmão já havia sido internado no Hospital Bom Retiro por causa de crises nervosas e depressão.

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