O ex-delegado da Receita Estadual José Luiz Favoreto Pereira, preso preventivamente ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na deflagração da fase três da Operação Publicano, usava uma lotérica de Curitiba e bens de luxo para lavar dinheiro desviado por meio do esquema de corrupção na delegacia de Londrina. Esta fase da apuração tem o objetivo de identificar a destinação e recuperar ao erário mais de R$ 6 milhões.
A casa lotérica está no nome do irmão de Favoreto, Antonio Luiz Junior Favoreto e da esposa Leila Pereira, também presos. Houve apreensão de um jet-ski, um barco e de um automóvel Jaguar, além do sequestro e arresto de imóveis e bloqueio de contas bancárias. No total, cinco pessoas foram detidas. O ex-delegado, que já responde ação penal sobre o escândalo na Receita Estadual, ficou preso na primeira fase da Publicano e também por envolvimento no caso de exploração sexual de menores.
Segundo o Gaeco, braço do Ministério Público (MP) do Paraná, o suposto núcleo criminoso girava em torno do ex-delegado e envolve ainda o advogado André Arruda e os empresários Sarquis José Sâmara e a esposa Marilúcia. Arruda foi detido em Londrina e Sarquis foi preso pela polícia de Sorocaba (SP), num Spa. Marilúcia era considerada foragida até ontem à tarde.
Conforme o promotor de Justiça e coordenador do Gaeco, Jorge Fernando Barreto da Costa, as investigações revelaram que a ocultação do dinheiro ilícito era coordenada por Favoreto, com "a facilitação dos demais investigados". Uma empresa registrada na Junta Comercial de Londrina, a PFPJ Soluções Tecnológicas, em nome de Antonio e de Leila, também servia ao grupo para emissão de notas fiscais frias por serviços não prestados para dar aparência de legalidade ao dinheiro fruto de corrupção. "Eram feitas aquisição de imóveis com valores inferiores ao de mercado, emissão de notas frias e comercialização de títulos por valores ínfimos", disse Barreto.
Os crimes investigados pelo Gaeco na fase três são lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade documental. Todos os mandados foram expedidos pela 3ª Vara Criminal de Londrina; 12 de busca e apreensão para Londrina e Curitiba, sete conduções coercitivas para Londrina, Arapongas e Ibiporã, além das ordens de sequestro e arresto de bens.
O advogado Walter Bittar, que defende Favoreto e familiares, informou que comentaria sobre o caso apenas após ter acesso aos pedidos de prisão. Os defensores dos demais investigados não foram localizados.

HISTÓRICO

As duas fases anteriores resultaram em denúncias criminais contra mais de 150 pessoas, sendo 60 auditores fiscais acusados de participação no esquema de corrupção da Receita Estadual em Londrina. Todos atuavam, segundo o MP, em distribuição de tarefas e de maneira hierarquizada, para facilitar a sonegação fiscal ou reduzir a imposição de penalidades tributárias às empresas, mediante o pagamento de propina. (Colaborou Loriane Comeli)

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