Lorusso loteia prefeitura com parentes
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sexta-feira, 20 de março de 1998
Israel Reinstein 
Kraw PenasLágrimasLorusso Filho, secretário Geral: Queixas dos vereadores são apenas choro da oposiçãoO prefeito de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, Gil Lorusso (PTB), está sendo acusado pelos vereadores da oposição de empregar a família em altos cargos da prefeitura. Além da esposa, Maria da Graça Lorusso, que é a secretária municipal da Ação Social, o prefeito nomeou o filho, Gil Lorusso Filho, como secretário-geral e diretor financeiro, e uma sobrinha, Gilze Maria Macedo, na função de chefe de gabinete. Na avaliação de Lorusso Filho, as queixas dos vereadores seriam apenas choro da oposição, que, segundo ele, também emprega parentes na Câmara Municipal. Gil Lorusso pai, o prefeito, estava ontem de viagem.
O vereador João Maseika (PMDB) acusa a prefeitura de criar nesta gestão 40 novos cargos no primeiro e segundo escalões para abrigar parentes e amigos de Lorusso. Entre os empregados estão ainda o genro, Marco Aurélio Sá Fonseca, o sogro do filho de Lorusso, João Kowalczuk (como secretário de Obras), que indicou mais três parentes seus: a cunhada, um sobrinho e a nora. Os ganhos dessas pessoas são um mistério, por que até o momento a prefeitura não forneceu cópias da folha de pagamento para a oposição, afirma a vereadora Indimara do Rócio Szczepanik (PMDB), que integra o grupo de cinco vereadores da oposição.
Os vereadores tentaram, por votação na Câmara, obter as informações da prefeitura, mas por serem minoria tiverem o pedido rejeitado. Descontando o aspecto moral das contratações, muitos dos que foram indicados não têm competência para gerenciar suas pastas, denuncia João Maseika. Segundo ele, por causa da inexperiência dos secretários, o município estaria perdendo dinheiro. Os recursos que chegam do ICMS ecológico, cerca de R$ 230 mil, até agora não foram aplicados em obras ou em projetos para este setor, afirma.
O secretário-geral da prefeitura, Gil Lorusso Filho, assegura que todo o dinheiro que a prefeitura arrecada está sendo destinado para reequipar a administração municipal. Quando assumimos a prefeitura, que era exercida por um prefeito do PMDB, encontramos a sua estrutura sucateada, garante. Ele diz que na Secretaria do Meio Ambiente os dois únicos caminhões de coleta de lixo estavam estragados. O dinheiro do ICMS Ecológico teve de ser usado para aparelhar a secretaria, sustenta.
Quanto às acusações de nepotismo, o procurador-geral do município, Luis Carlos Mainster, afirma não existir lei que ampare qualquer denúncia neste sentido. Todos os parentes foram contratos em cargos de confiança e não existe na Constituição e na Lei Orgânica do município nenhum artigo que regulamente a contratação de familiares, afirma Mainster. Para o procurador, as acusações da oposição não passam de intriga regional, sem apoio legal.


