Agência Estado
De Brasília
O ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes foi indiciado por desvio de dinheiro público, ontem, no Rio, pela Polícia Federal (PF), no inquérito sobre a venda de dólares do BC aos bancos Marka e FonteCindam, durante a mudança da política de câmbio brasileira. Hoje, o dono do Marka, Salvatore Alberto Cacciola, deve ser indiciado por gestão fraudulenta – mas a PF também apurou indícios de sonegação de impostos do banco carioca, fechado após a crise da alta do dólar, no início de 1999.
Chico Lopes não quis depôr ao delegado Luiz Pontel, responsável pelo inquérito, assim como se recusou a falar na CPI dos Bancos na Câmara dos Deputados e no inquérito no qual foi indiciado por evasão de divisas, no dia 11. Ele apenas ofereceu material gráfico – escreveu numa folha de papel, para que a letra e a assinatura dele sejam comparadas com a de outros documentos da investigação que teriam sido assinados por ele.
A PF informou que as assinaturas poderão ser usadas para comparar a letra de Lopes com a do bilhete em que está escrito que o ex-presidente do BC tem no exterior US$ 1,67 milhão em nome do amigo e sócio na consultoria Macrométrica, Sérgio Bragança.
Lopes pode receber pena de dois a 12 anos de prisão e multa por peculato, se a Justiça Federal abrir processo contra ele, depois de receber denúncia que o MPF deve fazer, a partir do indiciamento. Para a evasão de divisas, a pena prevista é de dois a seis anos de prisão e multa. O ex-presidente do FonteCindam, Luiz Antônio Gonçalves, também foi indiciado ontem por Pontel, por gestão temerária.

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