Uma consulta popular realizada no Calçadão de Londrina, ontem de manhã, mostrou que boa parte da população espera que os vereadores façam uma votação aberta do relatório da Comissão Processante (CP) que apura excesso de gastos e promoção pessoal na inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI). O documento, que deverá ser votado até o final deste mês pelo Legislativo, pode sugerir a cassação do mandato do prefeito afastado de Londrina, Antonio Belinati (PFL).
A consulta foi organizada pelo Movimento pela Moralização na Administração Pública, que todo sábado realiza um ato contra a corrupção em Londrina. Das 765 pessoas consultadas, 737 optaram pelo voto aberto – mais de 96%; 24 pelo fechado; além de 3 votos em branco e um nulo.
‘‘É uma questão de dignidade dos vereadores e um direito do povo. É preciso fazer um julgamento transparente porque é inconcebível que uma decisão como essa ocorra às portas fechadas. Quem colocou os vereadores lá fomos nós e eles devem mostrar como estão trabalhando’’, disse Moacir Piantavini, presidente da Associação dos Aposentados de Londrina e Região.
O estudante Ricardo Kendy Pereira, que também participou da consulta, concordou que é obrigação dos vereadores mostrar à população a forma como estão trabalhando. ‘‘O voto aberto poderá mostrar quem está disposto a cooperar com a impunidade e que não está. Por isso é fundamental.’’
O aponsentado José Rodrigues de Souza, que está em Londrina há mais de 50 anos, foi outro que fez questão de participar da consulta popular. ‘‘Nós temos direito de saber se o cara está sendo legal ou não com a gente. E voto fechado é covardia; tem que ser aberto e explicar por que é que está votando daquela maneira.’’
Além de populares, a consulta atraiu vereadores e até dois candidatos a prefeito de Londrina: Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Farage Khouri (PFL). Hauly não escondeu qual foi a escolha. ‘‘Votei pelo voto aberto, como prevê a lei. Apenas quando a cassação envolve parlamentares é que o voto pode ser fechado. Mas, nesse caso, tem que ser aberto, da mesma forma como cassamos o ex-presidente Fernando Collor de Melo.’’
Já Farage, que é do mesmo partido do prefeito afastado, preferiu não declinar o voto na consulta de ontem. ‘‘Não posso falar porque voto é secreto.’’

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