Londrinenses protestam contra a decisão do STF


Vitor StruckGrupo Folha
Vitor StruckGrupo Folha

As nuvens carregadas que tomaram conta do céu de Londrina na noite deste domingo (17) já estavam formadas quando os últimos manifestantes começaram a deixar a rotatória das avenidas Higienópolis e JK, tradicional ponto de encontro de simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em Londrina.

Londrinenses protestam contra a decisão do STF
Gustavo Carneiro


Desta vez, "alvo" das críticas foi a decisão tomada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na semana passada de enviar à Justiça Eleitoral casos de "caixa 2" quando cometidos em paralelo a outros crimes, como corrupção e lavagem de dinheiro. As manifestações ocorreram em dezenas de cidades em todo o Brasil, segundo o MBL (Movimento Brasil Livre).

De acordo com Rick Correa, integrante do #NasRuasLondrina, o ato na cidade reuniu quase duas mil pessoas ao longo de toda a tarde. Uma delas foi a ginecologista Aline de Souza Marquez, que considera a decisão um "subterfúgio para que se enfraqueça a ação da Lava Jato". "Na realidade, já esperávamos uma decisão desta natureza visto que temos um STF indicado politicamente e não concursado, vamos dizer assim", lamenta. "Nós acreditamos que o STF não é o órgão máximo do País. O órgão máximo é o povo. Todo o Poder emana do povo e eles estão lá por um único motivo, é pelo povo. Se eles esqueceram disso e, infelizmente, estão galgando interesses individuais, esta não é a função do STF", avalia.

Outro participante que diz ter vários motivos para "suspeitar" da índole dos Ministros do STF é o engenheiro agrônomo e microempresário Roberto Ribeiro. Ele classifica a medida como uma "afronta" ao povo brasileiro, uma vez que deve "favorecer bandidos". "Paulo Preto está aí", diz em alusão ao ex-diretor da estatal paulista Dersa, Paulo Viera de Souza, "presenteado" com um habeas corpus do ministro Gilmar Mendes no início deste mês. O HC deu origem a um pedido da força-tarefa da Lava Jato à Procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para a suspeição do ministro em investigações referentes ao ex-senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) e ao suposto operador do PSDB, Paulo Preto. Preto está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba desde o mês passado, quando foi deflagrada a 60ª fase da Operação Lava Jato, conhecida como Ad Infinitum (infinito, em latim).

"E se por acaso Paulo Preto for fazer a delação premiada começa a 'morder a canela' de alguns ministros, então eles resolveram tomar esta decisão rapidinho", avalia o agrônomo.

Para o estudante universitário Leonardo Alves, 19, a decisão do STF vai trazer consequências negativas para a Operação Lava Jato. Alves diz temer a anulação das condenações do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB-RJ), e do ex-presidente Lula (PT). "E outros que agora estão sendo investigados, como Aécio (Neves, PSDB) e Beto Richa (PSDB)", lamenta.

Na opinião do funcionário público Vinícius Alves, a medida vai atrapalhar a Operação Lava Jato, "que está em andamento não só contra um partido e tudo o que foi feito até agora vai por água abaixo".

PELO PAÍS

Em Brasília, manifestantes se reuniram na manhã deste domingo (17), para protestar em frente ao STF. A estimativa da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) é que, apesar da chuva, cerca de 100 pessoas, até as 11h, participavam do ato. Eles levavam faixas com os dizeres "STF, qual o seu negócio?" e "Quem mandou matar a Lava Jato?".

No Rio, um ato do MBL foi realizado na manhã deste domingo na Praia de Copacabana, reunindo dezenas de pessoas para protestar contra o STF. "Vergonha", estava escrito em uma faixa gigantesca.

CRÍTICAS

Durante a semana, o Supremo foi alvo de ataques nas redes sociais e críticas de integrantes da Lava Jato. Na quinta, o ministro Dias Toffoli, presidente do STF, anunciou a abertura de inquérito criminal para apurar fatos relacionados a notícias "falsas", denúncias caluniosas, ameaças e infrações que atingem a honra de membros do STF e seus familiares.

No Senado, a CPI da "Lava Toga", que mira no chamado "ativismo judiciário" de ministros de cortes superiores, conseguiu na sexta-feira (15) o número de assinaturas necessárias para ir adiante.(Com agências)




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