Se depender do ânimo do eleitor londrinense, os dois candidatos à Prefeitura de Londrina terão de gastar não só a famigerada ''sola de sapato'' para conquistar o voto nas urnas, no próximo dia 26, como também precisarão de muita saliva e algo mais que poder de convencimento e persuasão para comemorar a primeira colocação. Pelo menos essa é a expectativa de eleitores das cinco regiões da cidade, especificamente no que se refere ao horário eleitoral no rádio e na TV. Os programas, de 20 minutos (10 minutos por candidato), recomeçam hoje no rádio e na TV 4 de segunda a domingo, até dia 24.
O segundo turno das eleições municipais será realizado em 29 cidades brasileiras, as quais, juntas, abrangem um eleitorado superior a 26,843 milhões de pessoas. Em Londrina, pouco mais de 340 mil eleitores terão que decidir entre o ex-prefeito e deputado estadual Antonio Belinati (PP) e o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB). No segundo maior colégio eleitoral do Paraná, Belinati passou pelo crivo das urnas em primeiro lugar com 98.432 dos votos válidos (36,38%). Hauly, depois de bater Barbosa Neto (PDT), cujas pesquisas o indicavam para o segundo turno, conquistou a vaga da segunda etapa do pleito com 63.891 dos votos válidos (23,61%). É a segunda disputa de segundo turno entre ambos - em 1996, Belinati ficou com a cadeira do Executivo.
A FOLHA quis saber de eleitores - de faixas etárias e de renda, bem como de regiões diferentes de Londrina -, basicamente, dois pontos-chave em relação ao horário eleitoral de rádio e TV: primeiramente, se o entrevistado assistiu aos programas do primeiro turno, para, em seguida, apontar, na comparação com aqueles programas, o que gostaria de ver (e talvez não tenha visto antes) a partir de hoje. Unanimidade na segunda parte da entrevista: todos citaram ''propostas realizáveis'', ou algo que remeta à idéia, como a maior carência na atual disputa.
Moradora do Centro, a estudante Kennia Suellen, 17 anos, garantiu que viu a maioria dos programas do primeito turno. ''Falaram mais que na campanha de 2004, mas faltaram propostas'', comentou. Se ela vai acompanhar o horário, a partir de hoje? ''Pretendo, mas desde que não venham com promessas. A cidade precisa de cuidados, mas os candidatos têm que garantir que vão fazer e como vão fazer'', pediu.
Para o vendedor Marcos Crude, 36, morador do Jardim Coliseu (Zona Norte), o primeiro turno teve situações pitorescas no rádio e na TV. ''Em certos momentos eu vi baixaria e demagogia, pouquíssima proposta, e, as que foram apresentadas, todas muitos iguais umas das outras - Parecia um mix'', comparou. Qual a expectativa para os novos programas, caso os assista? ''Espero que venham propostas reais, sem ilusões para o eleitor. Se para realizar obras dependem de dinheiro, como vão viabilizar: com arrecadação? Com parcerias no setor privado? E se não tiverem força ativa no Governo do Estado, como irão cumprir suas promessas? Falta ainda muita coisa ficar clara'', lamentou Crude.
Pela Zona Oeste, a protética Rosemary Cianca, 43, foi taxativa: ''Não vi horário no primeiro turno, mas quero ver agora o que os candidatos vão apresentar para industrializar Londrina. Precisamos de outros tipos de propostas, não promessas''. Em sentido oposto, a nutricionista Elaine Campiolo Sartorelli, 25, que, embora more no Centro da cidade, vê o dia-dia da panificadora onde trabalha, na Zona Oeste, resumiu: ''O horário eleitoral não me faz nenhuma falta, até pelo que ele traz. E como já defini candidato, não vejo mesmo necessidade de acompanhar''.
Já Rosana dos Santos, 31, balconista, moradora do Residencial Abussafi (Zona Leste), não apenas assegurou ter assistido a todo o horário do primeiro turno, como ainda avaliou: ''Não gostei. Os candidatos mais mostraram defeitos uns dos outros do que realmemte aquilo de que a cidade precisa - dizem que têm planos de governo, mas cadê? Vamos ver se apresentam agora, principalmente para a saúde e para o desenvolvimento da cidade, no segundo turno''.
Na Zona Sul de Londrina, o funcionário público Júlio César Arruda, 45 anos, até arrisca o que Hauly e Belinati precisariam para melhorar nos programas de rádio e TV: ''Educação e a saúde, principalmente nos postos, têm que ser melhor detalhadas. Já defini em quem vou votar, mas ainda sinto falta disso''.

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