Apesar de não ser atribuição direta da administração municipal, em Londrina o setor da segurança vai representar um verdadeiro desafio para o prefeito que será eleito no próximo dia 29. Entidades e lideranças comunitárias estão dispostas a cobrar empenho e vontade política do futuro administrador. Em outras palavras, como a segurança compromete diretamente a qualidade de vida, o prefeito será cobrado – e muito – para que apresente soluções em um setor que não tem sequer recursos específicos.
‘‘Não queremos que o eleito lave as mãos. O prefeito será sempre o responsável pelos problemas locais’’, argumenta o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, advogado Arthur Piancastelli. Ele explica que caberá ao futuro prefeito procurar parcerias com os governos estadual e federal.
‘‘O município pode doar uma área para a construção da Penitenciária Industrial, que desafogaria o sistema de prisão provisória, que está em colapso’’, explica. Piancastelli diz que o prefeito eleito deverá ter uma ação de negociação e cobrança, fazendo valer o direito do município, o segundo maior do Estado.
Entre outras medidas práticas sugeridas pelo conselho está a reativação da Guarda Municipal. De acordo com o presidente do conselho, a guarda melhora o policiamento nas ruas, inibindo pequenos delitos. Piancastelli afirma ainda que o prefeito deverá ficar atento à divisão das verbas previstas no Plano Nacional de Segurança Pública, que deverá direcionar R$ 3 milhões para o Paraná. ‘‘Se houver bom trâmite podemos ter uma parcela maior deste bolo’’, sugere.
Outra medida importante, cita Piancastelli, é a efetivação de ações preventivas, que possam tirar das ruas os jovens em situação de risco. Ele afirma que uma ação do tipo foi colocada em prática em 1995, no Jardim Ângela, uma das áreas mais perigosas de São Paulo. Para conter a violência, segundo ele, as crianças e jovens eram levados para escolas públicas, onde praticavam atividades esportivas e recreativas. O resultado foi uma diminuição de 50% na violência urbana.
‘‘É importante que os candidatos saibam que vidas estão sendo perdidas e quem não entrar de cabeça nisto vai comprometer-se politicamente no futuro’’, afirma o presidente do conselho.
A presidente do Fórum das Entidades Assistenciais de Londrina – Criança e Adolescente, Itamar Kedma, concorda que é mais fácil dar assistência ao adolescente do que conter futuramente problemas com pequenos furtos. ‘‘Hoje temos apenas duas entidades que mantêm cursos profissionalizantes para jovens’’, afirma. Ela diz ainda que existe outra instituição que desenvolve um trabalho de recuperação de meninos de rua e menores infratores.
Itamar Kedma diz que um projeto ideal deveria atingir as crianças carentes entre sete e 14 anos. O correto, segundo ela, é desenvolver um programa amplo em todos os bairros, envolvendo as entidades assistenciais e escolas. ‘‘Poderíamos ocupar centros comunitários, salões de Igrejas. Nesta idade é que as crianças começam a ficar na rua e a usar drogas’’, explica. ‘‘Este trabalho social falta na nossa cidade’’.
A presidente do fórum concorda também que a não existência de um projeto do gênero resulta em aumento da criminalidade. Segundo estima, um projeto educacional dirigido a jovens custa R$ 150,00 por adolescente. Para manter uma pessoa em regime de prisão, o Estado gasta R$ 1,3 mil por preso. ‘‘É um projeto barato, que pode utilizar recursos da comunidade, parcerias e voluntários. A prefeitura entra como mais um parceiro.’’ Ela diz que cabe também à comunidade se envolver mais nos problemas sociais. ‘‘Nada impede que cada um dê um pouco de si. A cidade é receptivao, mas falta vontade política’’.