Quase seis meses depois do primeiro turno de 2008, os candidatos à Prefeitura de Londrina Barbosa Neto (PDT) e Luiz Carlos Hauly (PSDB) voltam a se enfrentar hoje em uma terceira etapa do pleito passado – situação inédita no País. O novo segundo turno ou ‘‘terceiro turno’’, como ficou mais conhecido, vai reunir na mesma arena, novamente, dois deputados federais que, a despeito de trajetórias políticas diversas, têm em comum tentativas frustradas de assumir a chefia do Executivo Municipal: Hauly tentou em 1996, 2000, 2004 e 2008; Barbosa, em 2000, 2004 e 2008. Ambos, aliás, registram derrotas um para o outro – como a de Hauly, quando perdeu para Barbosa a chance de disputar o segundo turno de 2000, e a do pedetista, quando perdeu ano passado, no primeiro turno, por uma diferença de menos de 2 mil votos.
  Dos 341.908 eleitores de Londrina aptos a votar – dados de julho de 2008 –, 287.324 compareceram na primeira etapa do pleito passado; mais de 54 mil se abstiveram. Nesse contexto, Antonio Belinati (PP) ficou à frente com 99.432 votos (36,39% do total de votos válidos), Hauly, com 63.891 (23,61%), enquanto Barbosa, que até então estava fixo no segundo lugar, foi passado no final da apuração pelo tucano ao registrar 62.020 votos (22,92%).
  Já no segundo turno passado, Hauly obteve 129.625 votos (48,27%), mas viu Belinati ser eleito prefeito pela quarta vez diante dos 138.926 votos recebidos, ou 51,73% – no universo de 283.672 votantes.
  As chances de novo pleito ficaram delineadas em definitivo quando Belinati, que disputou a eleição sob o risco de cassação – o registro de candidatura havia sido impugnado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em 5 de setembro, mas recorrera –, teve o registro indeferido de vez em 19 de desembro, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já de madrugada, naquela que foi a última sessão do ano para os ministros.
  Apesar de o TSE expedir recomendação para que novas eleições fossem realizadas em casos semelhantes ao de Londrina – ou seja, cujo eleito de cidade com mais de 200 mil eleitores teve os votos anulados e, em recontagem, nenhum outro concorrente obteve 50% mais um dos votos válidos –, o novo pleito, marcado em 27 de janeiro pelo TRE, transcorre com uma dúvida: este, que terá um custo de
R$ 280 mil aos cofres públicos, terá validade? Os advogados do ex-prefeito recorrem na próxima semana ao Supremo Tribunal Federal (STF); até lá, contudo, a cidade já conhecerá quem a governará, a princípio, pelos próximos três anos e sete meses.
  Em visita a Londrina na última sexta, o presidente do TRE-PR, desembargador Jesus Sarrão, estimou que o resultado deve ser conhecido hoje até, no máximo, 18h.

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