Honestidade. É isso que os londrinenses esperam do prefeito eleito Nedson Micheleti (PT). A constatação saiu de uma pesquisa realizada por quatro estudantes do 3º ano do curso de Relações Públicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os entrevistados também querem que o petista priorize as áreas de saúde, emprego e segurança. Durante a pesquisa, realizada entre os dias 16 e 23 de outubro no Calçadão, foram ouvidos 353 londrinenses.
Ontem, os alunos voltaram ao Calçadão para buscar sugestões para ajudar o novo governo. O próprio Nedson participou da empreitada, conversando com as pessoas que passavam pelo local. ‘‘Essa iniciativa é importantíssima’’, elogiou. ‘‘E concentra dois eixos da participação: a fiscalização e as sugestões. É justamente isso que eu quero fortalecer no meu governo.’’
O trabalho também agradou quem esteve no local. ‘‘É uma boa. Pelo menos a população está tentando ajudar. Depois dessa sacanagem toda que ocorreu na cidade, a gente quer colaborar e espera que os problemas não voltem a acontecer’’, destacou o digitador Alexandre Pasquali, enquanto pensava numa sugestão para Nedson.
Além de coletar dados, os alunos entregaram panfletos à comunidade informando-a sobre a dívida que o petista irá assumir a partir de 1º de janeiro: R$ 500 milhões. ‘‘As pessoas têm a impressão que ele (Nedson) vai assumir e no primeiro ano já conseguirá colocar a casa em ordem, mas a gente sabe que não é bem assim’’, alertou Helyvelton Paes, um dos alunos que realizaram a consulta – coordenada pela professora Maria Amélia Miranda Pirolo.
‘‘Mas a resposta da comunidade tem sido excelente. Todo mundo está querendo participar e dar sugestões. Isso é que é democracia!’’, comemorou Priscilla Francis, também aluna do curso de Relações Públicas. As colegas Cintya Marur e Renata Favoretto completam a equipe.
Para Paes, a corrupção na qual Londrina foi mergulhada pela administração do prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido) colaborou para que as respostas dos londrinenses convergissem para o item honestidade. A opinião é compartilhada pelo professor do Departamento de Filosofia da UEL Lourenço Zancanaro, que leciona ética na universidade: ‘‘A população reivindica honestidade porque há uma crise geral no Brasil, com furos em todos os lados.’’ (Colaborou L.H.)

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