Há tempos que Londrina é conhecida no cenário político paranaense como cidade de oposição aos governos vigentes - ou, pelo menos, de resultados nas urnas que contradizem a palavra final dada pelo eleitor do Estado. Foi assim no regime militar (1964-1985), com a escolha de nomes do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) contra os da então poderosa Aliança Renovadora Nacional (Arena), de situação; foi assim nas últimas eleições, quando o Paraná deu um parecer nas urnas, e o londrinense, seja para o Palácio Iguaçu ou para o Palácio do Planalto, deu outro.
Hoje, o foco de resistência de Londrina parece ter perdido o alvo - ou, se o tem, o faz de maneira difusa. É o que revelam os dados de uma pesquisa sobre a ideologia política do londrinense realizada pelo instituto Inbrape, encomendada e divulgada com exclusividade pela FOLHA.
Ao todo, o estudo entrevistou 300 pessoas no Centro da cidade, no último dia 17, e apontou: a maioria absoluta, 76,6%, não tem opinião formulada sobre predileção no sistema partidário. Ao mesmo tempo, se o percentual é maior dos que dizem preferir o PT - que nasceu como sigla de esquerda, no início da década de 1980 -, em outra questão do instituto a resposta veio na contramão da opinião anterior: a maior parte dos entrevistados se diz de direita.
A pesquisa realizada pelo método de amostragem e disposta conforme sexo, faixa etária e grau de escolaridade transcorreu em três etapas: a primeira, sobre o partido político de preferência; a segunda, sobre o posicionamento partidário (no cenário de esquerda, direita e centro); a terceira, sobre que posição tem o PT, sigla que está no poder tanto na administração municipal quanto no governo federal.
Sobre o partido da predileção, a maioria absoluta não opinou. Da totalidade das abordagens, 76,6% - pouco mais de três quartos - não manifestou opção partidária, nos quais despontam as mulheres (80,7%, contra 72,6% do público masculino), os eleitores com mais de 45 anos (77,9%) e os com curso superior (84,2%).
A maior parte dos entrevistados que opinou, 9,6%, apontou preferência pelo PT - índice superior entre as mulheres (11,7%, contra 7,5% dos homens) e entre quem tem menos de 25 anos e primeiro grau. Em segundo lugar aparece o PSDB, partido da preferência de 6,9%. Nesse índice, a maioria é composta por homens (10,3%, contra 3,4% das entrevistadas), por indivíduos com ensino superior (12,2%) e por aqueles acima de 45 anos (8,1%).
O PMDB foi o terceiro partido mais lembrado - surge no ranking do eleitorado londrinense com 4,8% das opções. Os adeptos do partido estão praticamente equilibrados quanto ao gênero (4,1% delas, 5,5% deles). A exemplo dos tucanos, a sigla foi a mais lembrada por eleitores acima dos 45 anos (5,8%) e por quem tem curso superior (8,5%). O PDT foi a quarta legenda mais lembrada, com 1%. As demais siglas citadas como as preferidas do londrinense são o PPS, o PV e o PTB, que detêm, cada uma, 0,3% da predileção.
A respeito da posição partidária, entre os entrevistados que opinaram, a maior parte - 23,4% - se disse de direita, enquanto 16,5% preferem o centro, e
15,5%, a esquerda. Não souberam opinar 44,7%.
Já sobre que posição ocupa o PT no atual panorama político brasileiro, para 40,5% o partido é de esquerda. Para 17,9%, a sigla é de centro; para 17,2%, de direita. Não souberam responder 24,4%.

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