O prazo para a realização das convenções partidárias terminou nesta quarta-feira (5), e os partidos e federações têm até 15 de agosto para formalizar o registro das candidaturas. O resultado das convenções mostra que Londrina deverá ter uma participação menor de vereadores no pleito para os cargos de deputado estadual e federal.

Em 2022, a cidade viu 13 dos seus 19 vereadores tentarem uma vaga na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná) ou na Câmara dos Deputados. Agora, a tendência é que apenas seis parlamentares disputem a eleição: Antônio Amaral (PSD), Deivid Wisley (Novo), Jessicão (PL), Anne Moraes (Avante), Giovani Mattos (Avante) e Lenir de Assis (PT). Todos foram indicados para concorrer ao cargo de deputado estadual.

A advogada Paula Vicente, suplente de vereadora a vereadora pelo PT e que chegou a assumir uma cadeira nesta legislatura, também busca uma vaga na Alep.


Alguns nomes já constam nas atas das convenções de suas siglas, mas as candidaturas somente serão oficializadas com o registro na Justiça Eleitoral. Até lá, ainda podem ocorrer mudanças.

REPRESENTAÇÃO

O analista político Elve Cenci avalia que o cenário mudou completamente em relação aos últimos pleitos. “No passado, a conduta de muitos vereadores era lançar-se para uma vaga de deputado com a intenção de fazer campanha e ganhar visibilidade para a eleição seguinte para vereador. Com isso, os votos acabavam diluídos, e Londrina ficava sub-representada”, afirmou Cenci.

Ao analisar os nomes que poderão concorrer, Cenci vê candidatos mais competitivos. Antônio Amaral pode ocupar o espaço dos votos que seriam direcionados ao prefeito Tiago Amaral, que exercia o mandato de deputado estadual. Deivid Wisley foi o vereador mais votado em 2024, com 16.212 votos, seguido por Jessicão, que recebeu 15.057. Giovani Mattos também teve um bom desempenho na eleição municipal, com 5.596 votos.

Lenir de Assis retomou a cadeira de vereadora em abril, depois de exercer por cerca de um ano o mandato de deputada federal. Ela ficou como suplente na eleição de 2022.

“Anne Moraes é um caso à parte, pois passou recentemente por um processo de desgaste político decorrente do processo de cassação. Apesar da absolvição, ela recebeu um número significativo de votos”, pontua Cenci.

‘ABERTURA DE ESPAÇOS’

O professor e advogado Nilso Paulo da Silva, especialista em direito eleitoral, avalia que o atual modelo político-eleitoral cria um cenário favorável para que quem já possui um mandato eletivo busque um “upgrade” político.

“Quem está fora precisa torcer para que aquele que já possui mandato busque outro espaço: que o vereador dispute o cargo de deputado estadual; que o deputado estadual concorra a deputado federal, senador ou governador. É isso que permite a abertura de espaços”, pontuou Silva.

Segundo ele, a falta dessa movimentação acaba reduzindo e sufocando novas participações e candidaturas. “Todo mundo sabe que uma campanha eleitoral tem custos, e nem todos se preparam para fazer esses investimentos, principalmente diante dessa redução de oportunidades.”

O advogado ressalta a necessidade de uma profunda reforma eleitoral, com a adoção de novos modelos que permitam maior oxigenação dos quadros políticos. “É necessário discutir alterações nos mandatos, rediscutir as reeleições, enfim, promover uma discussão ampla com todo o quadro político.”

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