Ao lado do governador de São Paulo, João Doria, Moro recebeu nesta sexta (28), a honraria Ordem do Ipiranga, no Palácio dos Bandeirantes
Ao lado do governador de São Paulo, João Doria, Moro recebeu nesta sexta (28), a honraria Ordem do Ipiranga, no Palácio dos Bandeirantes | Foto: Luis Blanco /Governo do Estado de São Paulo

Seguindo a corrente nacional de mobilizações em defesa do ministro da Justiça Sérgio Moro, Londrina terá um ato favorável ao ex-juiz e à Lava Jato neste domingo (30). Três grupos organizam a passeata: o Patriotas, o Nas Ruas e o Parlatório Livre.

Os atos são reflexo das reportagens divulgadas desde o início do mês pelo site Intercept, que revelaram mensagens de Moro com o procurador da Operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, mostrando que, enquanto juiz, ele influenciaria nas decisões do Ministério Público nos processos da Lava Jato. Moro disse não reconhecer a autenticidade das mensagens e o MPF (Ministério Público Federal) alega que se trata de um ataque hacker.

O apoio ao ministro, à operação, ao pacote Anticrime por ele proposto, além do movimento contrário à punição por abuso de autoridade praticado por magistrados e membros do Ministério Público são as principais pautas da mobilização londrinense.

À revelia das mobilizações nacionais, o MBL (Movimento Brasil Livre) de Londrina se absteve da organização deste ato. Segundo o coordenador do movimento na cidade, Douglas Souto, a decisão não está relacionada à fala do ministro chamando os membros do movimento de “tontos”, mas sim com os gastos. “Nós estaremos nas ruas, junto da população, mas não estamos na organização, não estaremos em cima do caminhão. Outros núcleos do MBL estão convocando, mas aqui em Londrina preferimos estar embaixo, junto do povo, e também por conta de recursos, já que gera muitos gastos."

Moro teria chamado membros do MBL de “tontos” em 2016, conforme divulgou a Folha de S. Paulo e o Intercept. No último domingo (23), o ministro enviou um áudio dizendo que não sabia se os termos eram dele, mas se desculpou com o movimento. O ex-juiz faria referência a um protesto do movimento, à época, em frente ao apartamento do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki.

“Logo em seguida ele enviou um áudio para todos os membros do movimento dizendo que não sabia se tinha dito aquilo ou não, mas que ele achou um ato inoportuno do MBL do Rio Grande do Sul”, explicou Souto.

O ATO

“Nós precisamos apoiar, independentemente de partido político, quem está na Lava Jato, a Polícia Federal e o Ministério Público, porque é o lado certo. Não podemos apoiar bandido”, disse uma das organizadoras do ato esperado para domingo, Adriana Figueiredo. A professora, que faz parte do grupo Patriotas, ressalta que a ação é apartidária.

Ela lembra que as pautas são nacionais e que os grupos vão se organizando conforme as notícias. “Eles vão dizendo o que está acontecendo com o Sérgio Moro por causa dos áudios e tal, para desmoralizar o Moro, a gente não acredita nisso. Estão tirando o foco”, argumenta.

Defensora assídua da Lava Jato, a organizadora explica que a operação está sendo atacada. “A Lava Jato recuperou milhões para o Brasil. Moro abriu mão até da aposentadoria dele como juiz federal justamente para tentar fazer a mudança no País.”

Sobre o projeto 10 Medidas de Combate à Corrupção, criado pelo MPF e aprovado pelo Senado nesta quarta (26), Figueiredo criticou as mudanças no texto referentes à punição por abuso de autoridade praticado por magistrados e integrantes do MP. As pautas caras ao grupo são discutidas pelo WhatsApp. “A gente vê as demandas do momento, o apoio à Lava Jato, as 10 Medidas Contra a Corrupção e não ao abuso de autoridade."

Figueiredo disse estar otimista quanto à adesão ao movimento. O ato tem início às 15h na rotatória da Avenida JK com a Higienópolis e seguirá até a Praça da Bandeira com caminhão de som e faixas. “A melhor coisa é a democracia e temos que defendê-la, a gente tem que punir quem está roubando o País, não quem está lutando contra os bandidos", afirma.

HOMENAGEM

O ministro Sergio Moro disse nesta sexta-feira, 28, que a operação Lava Jato ainda prossegue e é alvo de ataques. "Nós temos de preservá-la", afirmou, após receber a Ordem do Ipiranga, maior honraria do Estado de São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes.

De acordo com o ministro, nas últimas três semanas ele tem sofrido vários ataques, em um referência ao vazamento de conversas atribuídas a ele e a membros da Lava Jato. "Há um certo revanchismo que às vezes aparece", disse.

O ministro e ex-juiz voltou a afirmar que as "invasões criminosas" de celulares estão sendo investigadas. "A Polícia Federal deve chegar aos responsáveis", disse.

O ministro agradeceu também o apoio que diz estar recebendo do presidente Jair Bolsonaro. "Desde o início deste falso escândalo, a meu ver, o presidente tem prestado apoio", disse.

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