Londrina tem R$ 121 milhões em obras paradas
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domingo, 28 de dezembro de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Um belíssimo Jardim Botânico na Zona Sul, com cinco lagos, estufa e um diversificado acervo de plantas do mundo todo. Um Teatro Municipal de nível internacional para abrigar salas de espetáculos e espaço para aulas e eventos culturais. Dois hospitais regionais com instalações ampliadas e leitos suficientes para atender à crescente demanda das populosas regiões norte e sul. Um novo Fórum Trabalhista; um grande viaduto na PR-445 para tirar o Conjunto Jamile Dequech do isolamento e outro na BR-369 em frente ao campus da PUC; e a pavimentação da histórica estrada dos Pioneiros até a UTFPR. Esta é a Londrina prometida pelos governos municipal e estadual e que continua apenas no papel após oito anos de gestão Nedson Micheleti (PT) e seis de Roberto Requião (PMDB).
A reportagem da FOLHA percorreu, em meados deste mês os principais canteiros de obras públicas de Londrina e, na maior parte dos casos, o cenário é desolador. Materiais de construção empilhados e em estado de abandono. Salas de cirurgia praticamente prontas, mas vazias. Pedestres ainda expostos aos riscos da travessia de rodovias.
No total, as obras paralisadas ou com cronograma atrasado em Londrina, somam aproximadamente R$ 121 milhões. A seguir, o panorama de cada obra:
Teatro Municipal
A primeira notícia data de agosto de 2003, quando a prefeitura declarou de utilidade pública o terreno do antigo Colossinho, na região central. De lá para cá, a Prefeitura deslocou a construção do teatro para a Zona Leste, realizou um concurso nacional de projetos arquitetônicos, inscreveu cerca de R$ 40 milhões no orçamento federal dos últimos três anos, mas a obra física permanece na estaca zero. Em novembro desse ano, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou que os recursos federais não foram liberados porque a Prefeitura ainda não conseguiu finalizar a fase de elaboração do projeto. Visita ao local mostra que apenas os empreendimentos privados vizinhos ao futuro teatro estão em andamento.
Jardim Botânico
A iniciativa foi lançada no início de 2003, com previsão de início em 2004. No final de 2006, às vésperas de disputar a reeleição, o governador Roberto Requião fez o lançamento da pedra fundamental. A construção, de fato, começou apenas no segundo semestre de 2008. A previsão de entrega da primeira fase é de meados de 2009, mas já houve novo atraso de 30 dias para readequação do projeto de um lago, que invadia área de preservação ambiental. O custo total da obra - que está em andamento - é de aproximadamente R$ 40 milhões. No local, houve até o momento movimentação de terra, terraplenagem e início de construção do estacionamento.
Fórum Trabalhista
O processo foi iniciado em 2006, mas a constatação de irregularidades nas obras culminou com a rescisão do contrato. Uma comissão está averiguando indícios de que alguns componentes previstos não foram utilizados - especialmente nas lajes. Também há divergências na quantidade de ferragem e concreto. Após negociações, foi contratada a segunda colocada na licitação. Uma terceira empresa foi contratada para averiguar a adequação dos projetos, mas o contrato também foi rescindido - essa empresa também assessorava a fiscalização da obra. A retomada ocorreu em abril deste ano e permanece em andamento, segundo o Tribunal Regional do Trabalho. No canteiro de obras, na Avenida do Café, a FOLHA encontrou apenas dois pedreiros e nenhum equipamento. O custo inicial do projeto é de R$ 4,8 milhões. No total, o Fórum Trabalhista deverá ter 16 mil m2.
Hospitais da Zona Norte e Sul
As obras dos hospitais da Zona Norte (HZN) e da Zona Sul (HZS) estão paralisadas há um ano. A empresa contratada pelo governo do Estado entrou em falência e houve negociação para o cancelamento do contrato. No total, os empreendimentos têm custo de R$ 15,2 milhões. No HZN, a obra vai permitir a ampliação dos atuais 56 leitos para 130; e no HZS, de 41 para 130. Nos dois hospitais, a construção foi paralisada com cumprimento de aproximadamente 65% do cronograma. No HZN, segundo a Vigilância Sanitária, o depósito de materiais e as obras inconclusas prejudicam as condições de limpeza do local. Na semana passada, o governador Roberto Requião autorizou nova licitação para terminar as obras.
Estrada dos Pioneiros
A pavimentação do trecho de um quilômetro até o campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) deveria ser pavimentado até dezembro deste ano - mas a obra ainda não começou. O custo é de R$ 1,8 milhão.
Viaduto da PUC
Anunciado várias vezes, e com custo de R$ 13 milhões, a obra foi contemplada com emenda no orçamento da União de 2009. Ainda não há expectativa de prazo para o início da construção. As seis pistas da BR-369 passarão por dois elevados - e por baixo passará o tráfego da Avenina Jockey Clube.
Viaduto do Jamile Dequech
Projeto de R$ 2,2 milhões que visa ligar o Conjunto Jamile Dequech ao Conjunto União da Vitória com passarela para pedestres. A licitação foi contestada por uma das empresas e permanece paralisada.
Viaduto da Ayrton Senna
Pelo prazo original, a obra de transposição da PR-445 deveria estar concluída em março de 2009, mas com os atrasos a nova previsão passou para meados do ano. Projeto original foi contestado pela Sanepar por inadequações da rede de esgoto. O custo é de R$ 4,07 milhões.


