A previsão de receita da Prefeitura de Londrina no primeiro trimestre deste ano está entre 5% e 7% abaixo do esperado. O orçamento de 2004 prevê uma receita de R$ 436,1 milhões. A queda de receita é atribuída à diminuição dos repasses de verbas federais e estaduais.
''No orçamento de 2004 tínhamos estimado 'x' de receita e talvez não chegaremos a arrecadar aquilo que estava previsto. Até agora a arrecadação está entre 5% a 7% menor. O orçamento vinha em um crescimento muito bom mas a economia nacional a partir de outubro teve certa contenção. Se voltar a reagir, poderá completar o orçamento até o final do ano'', afirmou o secretário de Fazenda, Rubens Menoli.
Segundo o diretor de orçamento da Secretaria de Planejamento, Edson Antonio de Souza, se mantido este percentual menor de arrecadação, a receita do município será cerca de R$ 36 milhões menor do que o esperado. ''Mantido estes 7%, terminaríamos o ano com aproximadamente R$ 400 milhões de receita. Fechamos 2003 com R$ 369,9 milhões. Mesmo com a queda na arrecadação, teremos crescido 8% em relação ao ano passado'', contabilizou.
Conforme Souza, a arrecadação do município está menor devido à queda nos repasses de recursos estaduais e federais. ''A receita é composta pela arrecadação de impostos municipais (IPTU, ITBI e ISS) e de transferências constitucionais da União (Fundo de Participação dos Municípios - FPM e ICMS) e do Estado (IPVA e IPI). A nossa dificuldade está nas receitas transferidas, tanto federal como estadual. O ICMS depende da pessoa comprar, o IPVA depende do pagamento e o FPM depende da arrecadação do governo federal. Nos impostos municipais os londrinenses estão comparecendo'', explicou, atribuindo a diferença entre a expectativa e a arrecadação de receita a mudanças na economia nacional. ''Na época da elaboração do orçamento, a economia indicava que iríamos arrecadar isso, a economia estava bem. Hoje a economia está parada no país, o que afeta diretamente o caixa do município.''
A entrada de recursos nos caixas da prefeitura nos próximos três meses também poderá alterar o orçamento do município para 2005. Ontem foi realizada uma audiência pública na Câmara de Vereadores, em que foi debatida a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o próximo ano. A previsão é de que o município tenha um orçamento idêntico ao de 2004, com R$ 4,2 milhões de superávit. ''Teremos que mandar o orçamento (para a Câmara) em agosto e a previsão de receita será de acordo com que acontecer até julho'', disse Souza.
De acordo com o secretário de Planejamento, Horácio Utiamada, se confirmada a redução na receita conforme o primeiro trimestre deste ano, alguns projetos poderão ser inviabilizados. ''Isso ainda poderá se reverter com o crescimento da economia e a arrecadação cobrindo este déficit, mas se continuar nesta tendência, poderá afetar a execução de algum projeto novo'', afirmou. A Folha tentou entrar em contato com o prefeito Nedson Micheleti (PT), mas ele não foi localizado.

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