Primeiro prefeito reeleito da história de Londrina, o petista Nedson Micheleti comemorou ontem a vitória sobre Antonio Belinati (PSL) com uma sentença: ''Londrina conseguiu vencer e superar o seu passado''. A declaração foi feita por ele em sua casa, onde acompanhou com a família, vereadores e membros do partido o resultado que o manteve no cargo por mais quatro anos.
Para o prefeito, os 137.928 votos recebidos no pleito de ontem marcam não só a vitória sobre um político já eleito três vezes pelo eleitor londrinense. Mais que isso, completou, marcam uma nova época da história da cidade, em seus 70 anos comemorados em dezembro. ''Hoje a cidade está em um momento forte de desenvolvimento, em tom otimista, de portas abertas para os governos do Estado e federal. Londrina se voltou sobre si mesma e, em seus 70 anos, superou momentos difíceis de seu passado, e de forma serena'', avaliou.
Nedson agradeceu as lideranças políticas que o apoiaram entre elas, nesse segundo turno, o PTB, o PMDB e membros do PSDB e também as lideranças religiosas, que, mesmo sem a declaração oficial do arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin, estiveram presentes no documento assinado por 54 padres. ''O último que venceu Belinati foi o José Richa (em 1972). Foram 14 anos de administração dele, é um candidato forte. Mesmo assim, tivemos dois anos para superar a crise do último mandato dele'', afirmou, referindo-se à cassação de Belinati, pela Câmara, em junho de 2000. Na ocasião, o ex-prefeito foi denunciado por gastos excessivos na publicidade de inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI).
O prefeito negou que os mais de 121.102 mil votos recebidos pelo adversário representem algum tipo de entrave na governabilidade daqui para diante. ''O que temos é uma divisão eleitoral de forças políticas antagônicas, mas o que valeu foi a mobilização em torno de um nome'', acredita. Nedson considerou este segundo turno mais difícil que o de 2000, quando venceu o hoje deputado estadual Barbosa Neto (PDT). Em compensação, completou, o primeiro turno desta foi mais tranquilo, apesar da disputa acirrada com o terceiro colocado, Luiz Carlos Hauly (PSDB). ''Ele (Belinati) cobrava realizações minhas quando era autor da crise que enfrentamos. Agora é continuar nosso trabalho e avançar ainda mais para colocar Londrina no centro das articulações junto ao Esatdo e à União'', garantiu, quando o assunto foram as derrotas dos petistas em Maringá, Curitiba e Ponta Grossa.
Possíveis reformas ou reformulações do secretariado devem ficar, de acordo com o prefeito, somente para dezembro. Aqui, Nedson se esquivou de falar sobre as eventuais partipações de partidos que o apoiaram no novo grupo de governo. ''Vou aguardar. Não deu para pensar isso na campanha que nem sabíamos se seria ganha ou não. Mas será, com certeza, um governo de coalisão'', admitiu.
Nedson foi aguardado por uma multidão em frente ao prédio onde mora, na Área Central. Em seguida, ele deu entrevista em uma emissora de TV e seguiu para uma confraternização com militantes.

mockup