Londrina seria o centro nevrálgico do esquema de desvio de verbas públicas em investigação. Tanto que o trabalho de apuração dos indícios de fraudes se iniciaram pelo município que teve até o momento o maior montante de recursos desviados: R$ 10,2 milhões.
Em 2007, na administração do ex-prefeito Nedson Micheletti (PT), o Tribunal de Contas (TC) já teria encontrado irregularidades em pelo menos seis contratos de terceirização, entre eles um firmado com o Ciap. Entre outras situações, a auditoria teria alertado sobre funcionários que exerciam atividades típicas de servidores públicos e que, portanto, deveriam ser contratados por meio de concurso público. O mesmo TC já havia apontado irregularidades no valor de R$ 700 mil de um total de R$ 3 milhões que teriam sido repassados pelo Ministério do Trabalho em 2007, para serem usados em projeto de qualificação de jovens em Londrina.
Atualmente, existem quatro contratos vigentes entre a Prefeitura de Londrina e o Ciap. O maior deles - R$ 33,2 milhões - foi firmado em setembro de 2009, já na administração Barbosa Neto (PDT). O contrato tem relação com a contratação de funcionários para atuarem no Programa Saúde da Família (PSF).
O contrato mais antigo, e que deve ser encerrado no final deste ano, foi assinado em 2007 para contratação de pessoal e manutenção de ambulâncias do Samu. O valor é de R$ 7,5 milhões. O contrato foi firmado quando o hoje vereador Jacks Dias (PT) era secretário municipal de Gestão Pública (2005-2007) e centralizava os processos licitatórios em seu gabinete.
A assessoria da Prefeitura de Londrina chegou a informar que divulgaria uma nota oficial sobre o assunto mas, no final do dia, afirmou que ninguém se posicionaria ontem. Jacks Dias não foi encontrado por telefone e seu advogado, João dos Santos Gomes Filho, disse que não poderia falar. O ex-prefeito Nedson também foi procurado por telefone, mas as ligações não foram atendidas. (L.A.)

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