Londrina será um canteiro de obras em 2010
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
O prefeito Barbosa Neto (PDT), 43 anos, já faz parte da história política de Londrina por ser o primeiro a se eleger em um ''terceiro turno'', depois de a Justiça Eleitoral cassar a candidatura vitoriosa de Antonio Belinati (PP).
Ele perdeu quatro meses de seu primeiro ano como prefeito por conta da realização do pleito em que venceu o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB). E, a exemplo do processo eleitoral, teve uma administração tumultuada, com paralisação de médicos e desentendimentos com a Câmara de Vereadores, que culminaram na não aprovação de uma revisão na planta de valores do município.
Apesar de tudo, nesta entrevista exclusiva à FOLHA, Barbosa avalia o ano que está terminando como bom e projeta muitas realizações para 2010.
FOLHA - Como o senhor avalia a sua administração em 2009?
Barbosa - Em todos os aspectos tivemos só notícias positivas, pela nova postura que adotamos na administração, de ser um prefeito presente e também responsável por tudo aquilo que acontece na cidade. Conseguimos atrair R$ 150 milhões de recursos em apenas oito meses, que servirão para alguns problemas estruturais da cidade, como os viadutos. Sem falar da guarda municipal, da escola em tempo integral, do Hospital da Zona Oeste, que vamos construir no início do ano, a Praça da Juventude, o recape asfáltico... E, fora isso, vamos receber no dia 18 de janeiro uma missão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que vem analisar a possibilidade de resgatar um empréstimo que o município de Londrina não conseguiu contrair até agora. Com o perdão pelo governo do Estado uma dívida que tínhamos de R$ 127 milhões, temos o município desimpedido para emprestar US$ 50 milhões.
Como será feito esse empréstimo?
Será um empréstimo com uma carência boa, com juros subsidiados a longo prazo. Vamos utilizar esse dinheiro para a infraestrutura do município, principalmente para que os nossos fundos de vale sejam urbanizados e preservados dentro do que preconizam as questões ambientais.
Como o senhor garante para o londrinense que essas promessas vão sair do papel? Os recursos para a escola em tempo integral, por exemplo, de onde virão?
A escola em tempo integral virá de uma ajuda do Ministério da Educação. Para cada criança em regime de tempo integral, o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica nos dá mais um ''plus''. Para a construção também estamos recebendo recursos do governo federal. A própria secretaria municipal de Educação tem um volume de recursos já consideráveis. Vamos otimizá-los e vamos ivestir com outras parcerias, como igrejas e outras entidades. Não tem bicho de sete cabeças.
E a guarda municipal?
Para o equipamento e estrutura o investimento vem do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci). Mas para a administração da guarda e para os salários, 70% dos recursos serão da prefeitura.
Com os guardas municipais na folha de pagamento não vai exceder os 54% de gastos que Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) permite para pagamento de funcionários?
Esse impacto já foi analisado. Fizemos diversos esforços e o impacto anual do pagamento dos guardas será de R$ 5,5 milhões. Estaremos acendendo a luz amarela da LRF.
E o Hospital da Zona Oeste?
A construção será feita pelo governo federal, mas teremos que buscar recursos. Conversaremos com ministro José Gomes Temporão no dia 13 de janeiro e também conversaremos com o governo estadual e com outras entidades. Vamos mostrar que Londrina atende uma boa parte da região e que precisa ser recompensada. É um compromisso nosso de campanha e nos primeiros meses de 2010 as obras começarão.
O hospital fica pronto em 2010?
Sim. Vamos inaugurar no segundo semestre. Em 2010 vamos inaugurar também um centro de educação profissionalizante para 3,9 mil crianças e adolescentes, nas áreas de eletrônica, eletrotécnica, megatrônica e edificações. Tem também o Centro da Juventude, na Zona Norte, uma praça da Juventude, ao lado do Estádio do Café, e outra na Zona Sul, onde era o Pavilon. Tem as obras dos viadutos, as obras de pavimentação que já estão em anadamento... Londrina será um canteiro de obras em 2010.
O senhor promete como se ainda estivesse em campanha. Não tem medo de não conseguir cumprir tudo isso em 2010?
Se você pegar o meu plano de governo vai ver que estamos tratando pontualmente cada um daqueles compromissos e até ampliando.
O senhor chegou a afirmar que sem a revisão da planta de valores seria difícil tocar os projetos para 2010. A planta não passou pela Câmara. Mesmo assim será possível fazer tudo?
Não será na velocidade que nós gostaríamos, pois a revisão da planta de valores é uma questão técnica, que deve ser discutida ou feita mais cedo ou mais tarde. Mas não vamos sacrificar os projetos. Pelo contrário, estamos cortando na própria carne, com a redução de salários e de outros benefícios de diretores da Sercomtel, da Cohab e da CMTU. A Câmara perdeu uma chance de mostrar à sociedade que estava disposta a fazer a justiça fiscal. Não foi uma derrota para mim. Foi uma derrota para a cidade. No nosso projeto, o IPTU iria aumentar mais drasticamente para 1.625 imóveis, sendo que temos 220 mil imóveis na cidade. Teríamos 60 mil imóveis sem nenhum centavo de reajuste e 12 mil imóveis com isenção total de IPTU, que são aqueles com valor venal de até 15 mil reais.
Nesse caso, o problema não foi falta de diálogo do senhor com os vereadores?
Eu não vejo dessa forma. Estivemos na Câmara. Tínhamos um secretário exclusivo para fazer essa interlocução. Temos o nosso líder (Sebastião Raimundo - PDT), que ampliou muito essa discussão. Os vereadores nunca marcaram hora para serem recebidos aqui nonosso gabinete e na verdade vejo que eles se arrependeram de não ter votado esse projeto e aprovado a revisão da planta como deveria ter sido feito.
Há um desgaste entre o prefeito e a Câmara?
Avalio pelo resultado. Não vejo desgaste. O que mudou foi o relacionamento, que é republicano. Acho que isso foi uma conquista para a cidade. Dos 78 projetos que nós enviamos para a Câmara Municipal tivemos uma única derrota, que foi esse projeto de revisão da planta de valores. Os vereadores não compreenderam o projeto. O próprio vereador que foi líder do nosso governo no início do mandato (o vereador afastado Joel Garcia - PDT) não foi uma escolha pessoal minha, foi por exclusão, por que nem o vereador Sebastião Raimundo e nem o vereador Roberto Fu (PDT) aceitaram o convite naquele momento. O Joel Garcia nunca foi afinado comigo.
A planta de valores volta para a Câmara ano que vem?
Ela precisa ser melhor debatida. Precisa de uma luz mais técnica e menos política. Isso precisa ser feito não de afogadilho, mas o ano todo.
No começo do ano o senhor teve um problema com os médicos que atendem pelo SUS nos hospitais filantrópicos da cidade. O episódio foi reflexo de uma falta de experiência do senhor no poder Executivo?
O que falta é uma compreensão de que o Executivo tem responsabilidades diferentes do Legislativo. Hoje, o cidadão londrinense pode ter a certeza de que aqui tem um defensor do interesse público acima de tudo. Aquela cultura de passar a mão na cabeça, deixar acontecer, o populismo, a ausência de discussões dos principais problemas da cidade acabou na nossa administração. Tenho a plena convicção de que faria tudo novamente da forma que fiz. O contrato com os médicos plantonistas previa 35 especialidades e um pagamento de R$ 720 mil. Pagávamos R$ 5,2 mil por mês para o médico fazer plantão à distância. Era um escândalo.
O senhor ainda é assombrado pela possibilidade de o deputado estadual Antonio Belinati se tornar prefeito?
Eu durmo o sono dos justos, com a cabeça tranquila por estar administrando a cidade com seriedade e muita honestidade. Eu estou aqui respaldado por uma decisão de 140 mil eleitores.
Ser prefeito é mais difícil ou mais fácil do que o senhor imaginava?
Primeiro, é uma dádiva. Eu, que gosto de trabalhar, que chego à prefeitura antes das 6h, que não tenho sábado, domingo e feriado, não vejo como um fardo pesado, mas como um presente de Deus. Não almoço, fico aqui o tempo inteiro. O prefeito é um síndico que às vezes tem que chamar a comunidade para dizer que vai ter que subir o condomínio. Prefeito que mais trabalhou do que eu, com certeza não teve.
Qual nota o senhor daria para a sua própria administração?
Prefiro que vocês me avaliem.
O que dizer sobre o fato de os ambulantes não terem deixado as calçadas do Terminal Urbano?
Há uma ordem judicial que está sendo descumprida. Não somos polícia e não podemos fazer o papel dela. Eu faria tudo novamente e com a consciência tranquila e com a segurança de que os atos que estamos fazendo não são atos de permitir que as pessoas usem a máquina ou terreno público para uso particular.
É verdade que, na campanha, o senhor assinou um documento se comprometendo a não tirá-los de lá?
Eu assinei um compromisso de não persegui-los e estou cumprindo isso.


