Onze dos dezenove vereadores de Londrina foram reeleitos neste domingo (6) para a legislatura que começa em 2015. Entre eles, Deivid Wisley (Republicanos) se firmou como o parlamentar mais votado da história e Jéssica Moreno, a Jessicão (PP) como a mulher com o maior número de votos na história da Câmara Municipal.

O levantamento é provisório e, até as 21h, dependia da validação da Justiça Eleitoral.

Com seis vereadores eleitos cada, as maiores bancadas da Casa foram formadas pelo PP - do prefeito Marcelo Belinati e de Maria Tereza, sua candidata - e pelo PL, legenda que apoia Tiago Amaral (PSD). Ambos voltarão a se enfrentar no segundo turno, marcado para o dia 27 de outubro.

O Republicanos, do presidente do Legislativo, Emanoel Gomes, elegeu três parlamentares e o PSD, dois. PT e Avante assumem uma cadeira cada.

Com isso, cai a diversidade política em comparação com a composição no pleito de 2020, quando doze partidos conseguiram uma cadeira na Câmara de Londrina, já que em 2025, serão apenas seis legendas dividindo as cadeiras.

O número de mulheres também foi reduzido das atuais sete parlamentares para as cinco eleitas e reeleitas em 2024.

Uma das surpresas foi a ausência de Mara Boca Aberta (PMB), anterior detentora do título de “recordista de votos”. Ela chegou a ter a candidatura impugnada por problemas em sua filiação, que só foi resolvido na sexta-feira (4), antevéspera do pleito.

Outra ausência percebida foi a da defensora da causa animal Daniele Ziober (PP). Por outro lado, entra pela primeira vez no Legislativo Anne Ada Moraes de Souza (PL), também conhecida por comandar a ADA (Associação de Defesa dos Animais) em Londrina.

Dos 399.855 eleitores de Londrina, 288.714 votaram para o legislativo. Destes, 257.214 foram para algum candidato ou partido, 12.933 (4,48%) foram nulos e 17.454 (6,05%) em branco.

Campeões de votos

Dois nomes chamam a atenção pela expressividade no pleito de 2024, quando Deivid Wisley e Jessicão obtiveram, respectivamente, a maior votação para um parlamentar e a maior votação para uma vereadora em Londrina.

Com 16.212 votos, Wisley superou a primeira eleição de Boca Aberta (PMB) em 2016, quando contabilizou 11.480 votos. Jessicão, com 15.057, também superou a votação de Mara Boca Aberta (PMB, à época, no PROS) que angariou 6.192 votos em 2020 - até então, a mulher mais votada no parlamento londrinense.

Wisley viu sua votação quadruplicar este ano em comparação com sua primeira eleição, em 2020, quando recebeu 4.626 votos. Para ele, o resultado de 2024 reflete seu trabalho nestes quatro anos. “Nós não trabalhamos com promessa, nós entregamos trabalho”, autoelogia-se. E explica. “Eu me coloquei à disposição da causa animal e conseguimos concluir o que pretendemos. Então, acredito que essa votação vem em forma de resposta por quem acompanhou o mandato”, diz

Para a próxima legislatura, ele projeta uma ampliação nas bandeiras a serem encampadas no Legislativo, focando também nas causas do autismo e dos idosos. “Todos os animais que resgatamos têm, por trás dele, uma família que, muitas vezes, também tem um idoso, uma pessoa com autismo. Então, vamos trabalhar por eles.”

A reportagem procurou Jessicão por telefone e mensagem por aplicativo de conversa, mas, ela não retornou até o fechamento da matéria.

Renovação na Câmara é reflexo de falta de protagonismo dos últimos quatro anos

A renovação de oito dos 19 vereadores de Londrina é resultado de uma legislatura sem protagonismo próprio e muito apegada à pauta de costumes, deixando de lado questões relevantes para o dia a dia do londrinense, avalia o professor e cientista político Elve Cenci. Com isso, ficam mais fortes aqueles que se apegam a uma causa específica, como a dos direitos dos animais ou de assuntos ligados à direita bolsonarista.

Cenci se recorda que pautas discutidas dentro do Legislativo nos últimos quatro anos focaram muito em questões polêmicas do cenário nacional, como uma moção reprovando a indicação de Flavio Dino para o STF (Supremo Tribunal Federal) e de apoio para policiais no Rio de Janeiro em uma ação com vários mortos em uma favela.

Outra proposta recordada pelo cientista político foi a proibição do comércio de alimentos em formato de órgãos genitais em Londrina. “Tudo isso num momento em que, na verdade, nós precisamos discutir o Plano Diretor com profundidade. Então, a Câmara foi atropelada por uma agenda insignificante, a despeito de alguns bons vereadores que tentaram puxar uma agenda mais propositiva, mas tivemos uma agenda que se perdeu no meio do caminho. E o eleitor percebeu e puniu”, avalia.

Com isso, continua, os vereadores que não tiveram uma atuação de destaque acabaram atropelados pelo eleitor. “E aí, com a força desses candidatos mais bolsonaristas, o eleitor trocou os que não conseguiram protagonismo por outros com a pauta de costumes do bolsonarismo”, conclui.

Pela configuração partidária da Câmara eleita, Cenci acredita que estaria mais alinhada a uma eventual gestão de Tiago Amaral (PSD), que se aliou ao bolsonarismo em sua campanha, do que com Maria Tereza (PP). Porém, na tradição política legislativa local, cada vereador acaba atuando de acordo com sua própria agenda e seus próprios interesses.

Isso ocorre porque, em sua visão, ter uma pauta específica consegue fidelizar melhor o eleitorado. “É o caso da Jessicão. Ela, de certa forma, era a única vereadora que tinha essa pauta bolsonarista bem acentuada, militante, lacrava na internet, tinha pauta de valores, aquela coisa toda”, recorda, para justificar seu ponto de vista.

mockup