Londrina viveu ontem um dia inédito em sua história política, ficando sem prefeito até as 17 horas, quando o presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Scaff (PSB) resolveu assumir o cargo, vago desde o fim da tarde de quarta-feira, devido ao afastamento do prefeito Antonio Belinati por 90 dias. Scaff assumiu o comando da 3ª maior cidade do sul do País com a renúncia do presidente do Legislativo, Renato Araújo (PPB), que optou por garantir uma eventual reeleição.
Pela manhã no gabinete do prefeito, o clima era de incerteza e indefinição porque no dia anterior Scaff havia anunciado que tomaria posse, porém não oficializou sua decisão. A possibilidade de uma nova decisão do Tribunal de Justiça (TJ) de reconduzir Antonio Belinati ao cargo fez com que o vereador adiasse sua posse para o fim da tarde. ‘‘Sempre espero as coisas acontecerem e propositadamente atrasei a posse’’, reconheceu o prefeito interino.
‘‘Nós estamos sem prefeito’’, dizia pela manhã uma das secretárias do gabinete. A assessoria de imprensa também não sabia se Jorge Scaff precisaria assinar o termo de posse, fato que ocorre quando o chefe do Executivo se ausenta da prefeitura por mais de 15 dias. Os secretários Jair Gravena (Fazenda), Sidney de Oliveira (Governo) e o procurador-geral do município, Osmar Vieira da Silva, se reuniram depois que o próprio Jorge Scaff foi à prefeitura tentar saber o que fazer.
No fim da tarde, uma funcionária de setor de limpeza não soube dizer quem era o prefeito. Já a arquiteta Josiane Ribeiro de Alencar reconhecia que Scaff era o chefe do Executivo. ‘‘Como cristã, acho uma vergonha para Londrina, mas Deus coloca tudo à luz da verdade’’, disse ela, ao comentar a situação vivida pela cidade. Um taxista da cidade sentenciou. ‘‘Ficou tudo do mesmo jeito: o Scaff é amigo do prefeito e o Belinati vai continuar mandando na prefeitura’’.
Enquanto aguardava a posse do novo prefeito, o procurador Osmar Vieira da Silva conversou com o juiz da 8ª Vara Cível, José Roberto Pinto Júnior, para tentar esclarecer as dúvidas. Depois, o procurador informou que a situação somente seria resolvida após a Câmara definir quem era o prefeito em exercício. ‘‘Definida essa questão, basta ele se dirigir e assinar o termo de posse porque a decisão judicial assim determinou’’, esclareceu Vieira.
Estacionado no local reservado para veículos oficiais, o Ômega utilizado pelo prefeito Antonio Belinati chegou a levantar suspeitas de que o próprio Belinati estaria no prédio da prefeitura. Mas a assessoria de imprensa do gabinete garantiu que o veículo é um carro oficial e não de propriedade de Belinati. ‘‘Está à disposição do Jorge Scaff’’, disse um assessor.
No final da tarde, já oficialmente como prefeito, Scaff chegou à prefeitura cercado de repórteres, secretários municipais e vereadores. Um pouco constrangido, sentou na cadeira de prefeito a pedido da imprensa. Em seus primeiros momentos como prefeito, Scaff foi auxiliado por uma dupla assessoria: da prefeitura e da Câmara.

mockup