LONDRINA PERGUNTA
Londrina é a cidade-pólo de uma região de potencial e oportunidades incríveis. É responsabilidade de seus administradores aproveitar suas virtudes explorando-as em procura da aceleração de seu desenvolvimento. Preocupa-nos especialmente em relação ao agronegócio, sem dúvida alguma a principal fonte geradora de riquezas e desenvolvimento da região, o baixo índice de transformação no setor primário (produção das fazendas) para o secundário (industrialização). Sabe-se que a industrialização traz à população uma possibilidade de emprego e renda que os demais setores não oferecem. Dessa forma, quais as ações que vossa senhoria vai tomar no sentido de incrementar a industrialização do agronegócio em Londrina?
Fernando Prochet, vice-presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP)
AMADEU FELIPE (PCB)
A cidade tem que começar a criar institutos que permitam chegar e formar não só mão-de-obra, como descobrir o que tem que ser feito, ver as necessidades da região, no agronegócio, pois ele tem uma mobilidade muito grande. Então, é ver as necessidades para industrializar os produtos. Aí cabe também aos empresários do agronegócio virem conversar com o prefeito. Assim você vai descobrindo uma série de produtos que podem e devem ser industrializados para que a gente tenha empregos e gere riqueza para distribuí-la. Infelizmente, no agronegócio, se distribui muito pouco; a grande propriedade agrícola distribui pouco. Mas como nós temos na maioria pequenas propriedades, é fundamental que se organizem cooperativas agrícolas e se faça então o trabalho coletivo. Vamos contar com as diversas classes sociais que trabalham no agronegócio para que possa ajudar no desenvolvimento, mas distribuindo a renda também, pois é assim que se gera riqueza.
ANTONIO BELINATI (PP)
Muito simples: o Fernando é uma figura aqui da nossa terra, e quero dizer que, eleito prefeito, vou buscar uma parceria com a própria Rural, Acil, e vamos formar uma parceria e aproveitar sim essa produção que temos aqui, transformar isso na sua industrialização. Assim, faremos do agronegócio mais uma fonte de riqueza para a nossa região. E a SRP tem muita gente competente que entende mais do assunto que do qualquer prefeito; não tem parceria melhor. Daí, sim, vamos alavancar esse setor tão importante que temos aqui.
ANDRÉ VARGAS (PT)
A cidade se encontrou na área de tecnologia, e penso que precisamos de fato de um centro de excelência na indústria de alimentos. Para isso, vamos ampliar os cursos na área tecnológica com a nova UTF-PR, e com a qualificação da mão-de-obra; o foco nos nossos cursos universitários têm que estar cada vez mais voltados a isso, formando tecnólogos, técnicos na área de alimentos. E, claro, é também preciso incentivar a participação do que o terreno puder oferecer, de infraestrutura, logística, assim como também esperamos a participação empresarial, pois vemos cooperativas fortíssimas em outras cidades de agricultores que são cooperados. É o capital privado associado à articulação pública que faz com que esse desenvolvimento aconteça.
BARBOSA NETO (PDT)
Temos a Universidade Tecnológica Federal, o Iapar, a Embrapa Soja, aliados aos outros cursos na área agronômica; temos os maiores índices de produtividade de soja, trigo e milho, e não conseguimos aproveitar tudo isso. Com a instalação do Centro Metrológico de Londrina, o único público do Brasil que pode certificar diversos produtos e preparar para colocá-los no mercado econômico, não apenas aqui, mas no mundo, temos que aproveitar isso tudo. Na minha administração o prefeito vai ser um facilitador da instalação de indústrias, respeitando as questões ambientais, legais, mas vamos fazer com que empresários voltem a investir aqui, e entrando por essa grande janela que se abre para o mundo inteiro por meio da agroindústria. Concordo com o Prochet, temos que transformar nossos grãos, agregar valor, e também porque essa é a principal fonte de recurso. Temos que esquecer um pouco a questão da prestação de serviços da nossa cidade, voltar um pouco à industrialização, sob pena de perder novamente esse bonde que está passando em nossa frente.
LUIZ CARLOS HAULY (PSDB)
Temos a maior produtividade do Brasil, em função da nossa terra vermelha. Temos que estimular a propriedade rural na diversificação à industrialização, fortalecendo os distritos rurais, e para isso, vamos restabelecer os subprefeitos nesses locais, além de adotar uma política de incentivo ao proprietário rural e ao trabalhador rural para que se fixem no campo, por meio de boas estradas. Queremos levar a fruticultura, o estímulo ao plantio de flores e frutas, e também à agroindustrialização não só nos distritos, mas especialmente nos distritos, e também no incentivo de que Londrina possa também sediar um bom parque agroindustrial, não só com os produtos in-natura, aqui produzidos, mas também aqueles que vêm do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Centro-Oeste. Há um espaço muito grande para agroindustralizarmos a nossa cidade, essa foi a primeira grande vocação industrial de Londrina e vamos resgatá-la.
LUIZ EDUARDO CHEIDA (PMDB)
Embora não seja tarefa só da Prefeitura e do prefeito incrementar a industrialização do agronegócio, também concordo que temos perdido muito com a falta de agroindústrias na nossa cidade. Por isso acho fundamental a presença da Secretaria de Indústria e Comércio do Estado para que possa incentivar os agricultores e pecuaristas a de fato industrializarem seus produtos. Temos em Londrina uma lei de incentivo industrial, e é preciso que talvez se leve isso ao campo. Porém, existem outros problemas que não são necessariamente da indústria: se considerarmos que temos problemas sérios de infraestrutura rural ou seja, se produz leite na propriedade mas não se consegue vendê-lo porque o carreador não está readequado , então vamos chegar à conclusão de que o Município pode e deve fazer muito nesse sentido porque não se industrializam produtos deteriorados, por exemplo. E isso realmente é um problema em Londrina. Só contesto um aspecto da pergunta: embora o agronegócio seja fundamental para nossa riqueza, ele contribui muito pouco ainda para o PIB de Londrina, que tem 66,66% dele ainda no setor de serviços.
MARCELO URBANEJA (PTdoB)
A questão do agronegócio segue a mesma linha da industrialização de Londrina. Por que é bom ter indústria? Porque ela pega um produto que não tem valor agregado e transforma em um que tem esse valor. Por exemplo, a água mineral. Tem uma fonte, aquilo jorra e não tem custo nenhum. Envasada, aquela água tem um valor muito bom em vista do que foi investido. Mas tem que ser uma política que venha dos Governos Federal e Estadual, chegando ao municipal. E uma das nossas idéias práticas para resolver isso é criar um casulo onde as pessoas possam comercializar seus produtos. Seria uma forma de o produtor vender direto, em um espaço central onde as pessoas não teriam preocupação em pagar taxas, aluguel. Ou seja: um espaço público onde a pessoa diga eu vou comercializar tal coisa, está tudo dentro das normas da Vigilância, então ok. Isso é fácil de fazer. A iniciativa privada constrói um mercado em 24h, ela quer, ela faz. O próprio serviço público já demonstrou que é capaz de fazer as coisas quando quer.
MARCOS COLLI (PV)
Londrina já foi capital mundial do café, hoje não é capital mundial de nada. Londrina hoje não está conseguindo manter as características que fizeram dela uma cidade rica, um dia, mas o povo é o mesmo, a terra é a mesma. A terra que fez o café proliferar é a mesma. O que fez Londrina empobrecer tanto, obviamente, foram os destinos dados pelas pessoas que a administraram: deixaram de privilegiar a capacidade que Londrina tem de desenvolver o agronegócio. O PV quer ajudar a pensar uma proposta para a cidade que tem como slogan Novos bons tempos para Londrina e não é à toa, porque já vivemos bons tempos e precisamos vivê-los novamente, com base no desenvolvimento das suas potencialidades. E a maior delas está no agronegócio. Definitivamente, essa história de continuar dizendo que Londrina é uma cidade prestadora de serviço vai continuar a empobrecendo. Enquanto Londrina se preocupar em manter essa fachada de prestadora de serviço, essa mentira, a cidade vai continuar empobrecendo, a mão-de-obra desqualificada vai continuar encostada.
VILSON MACHADO (PSol)
O agronegócio é um dos elementos que geram renda, mas tem outros fatores que geram renda na cidade e que precisamos implementar. O agronegócio parte do princípio de que a matéria-prima está vindo da agricultura, e realmente isso teria que agregar valores a partir da industrialização. Acho que volta-se a questão do cooperativismo: se é possível trabalhar o agronegócio para fortalecer a indústria, é também possível fortalecer a indústria nas periferias da cidade. E isso a Prefeitura tem que fazer com barracões e buscando recursos no governo federal para implementar um processo de industrialização a partir de cooperativas nas periferias, com produtos pautados em matéria-prima que temos na região; isso a valoriza e ainda agrega valores ao produto. É possível, mas dentro dessa lógica cooperativista. Porque se for para a Prefeitura investir em uma empresa que vai gerar lucro ao empresário e ele continua explorando o trabalhador pagando salário mínimo, o que resolveu? As indústrias que têm vindo para Londrina, ou se propondo a vir, são de alto custo. Não vamos fazer isso.





