Londrina tem mais de 500 mil habitantes e vive como se fosse uma cidade provinciana. Qual é a proposta do senhor quanto à alteração do horário de funcionamento do comércio?
Nájila Nabhan,
presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval)


AMADEU FELIPE (PCB)
Entendo que esa discussão tem que ser feita primeiramente entre os empresários do comércio varejista, que são os que têm interesse no funcionamento, e também os outros trabalhadores do comércio. É preciso que, além da discussão, eles busquem alternativas entre si, ouvindo a a comuniade, percebendo que se ficar aberto 24 horas por dia é melhor, mas têm que ser obedecidas algumas leis, com uma fiscalização de boa qualidade. Porque também é muito comum que se permitia a abertura do comércio em determinadas horas e depois se vê que não estão sendo pagas horas-extras; isso acaba sendo uma espoliação maior. Isso não será permitido. É necessário, de uma forma democrática, discutir e estabelecer princípios que sejam justos às duas partes, e que sociedade possa tirar proveito tendo um horário mais elástico para adquirir seus produtos.


ANDRÉ VARGAS (PT)
Londrina já é uma cidade diversa, com shoppings e comércio das vilas, os quais têm horários diferenciados, além dos supermercados e do chamado comércio da Área Central. Sou favorável ao livre entendimento entre os tabalhadores – essa não é uma decisão só do prefeito, mas uma decisão que tem que ser por acordo dos sindicatos patronal e dos trabalhadores, não pode ser aleatória. Se há pessoas que optam por trabalhar no shopping porque têm uma condição de vida, outras optam por trabalhar no comércio central porque têm horários diversificados. É uma livre negociação entre trabalhadores e empresários, e a regulação do poder público vale para as questões de tráfego e linhas de ônibus, por exemplo. Não acho que o que dá modernidade a uma cidade é o horário do funcionamento do comércio, porque, para ter horário livre, precisaríamos de um horário escolar que comportasse isso, além de creches – pois há muitas trabalhadoras no comércio. Não podemos tomar uma decisão dessas sobre abertura do comércio se não podemos oferecer creches no final de semana, além de toda uma rede de serviços, no horário noturno.


ANTONIO BELINATI (PP)
Dependendo do comércio, não adianta abrir às 5h da manhã porque você não vai comprar um vestido de noiva nesse horário – mas a padaria tem que estar aberta às 5h porque tem uma população que precisa dela mais cedo. Temos que discutir com várias entidades, mas lembrando que, em certa ocasião, o prefeito José Richa mudou a legislação e o comércio passou a abrir à noite aqui em Londrina, e em pouco tempo os comerciantes fecharam as portas porque eles não estavam fazendo nem para pagar a luz que gastavam. Não adianta liberar o horário do comércio, o problema é que o povo não tem dinheiro. Quando chega perto do pagamento, o supermercado lota, as lojas também, mas passou uma semana, o povo já está ‘‘pendurado’’ novamente, então as lojas se esvaziam. Portanto, hoje está até sobrando horário de funcionamento no comércio. Tinha um tempo em que vinha muita gente de fora comprar aqui – e para ver isso novamente, temos que embelezar a cidade, deixá-la limpa, torná-la atraente inclusive para atrair esse povo da região, aí, sim, botar dinheiro no bolso do lojista e do balconista.

BARBOSA NETO (PDT)
Vejo que não há nem demanda para se flexibilizar mais o horário de funcionamento do comércio em Londrina. Dois sábados acredito que absorvam toda essa gama de potenciais compradores. Creio que o problema não é o funcionamento, mas a melhora da arrecadação, das vendas, que pode ser feita de outra forma. Temos um projeto de revitalização do Calçadão que é o de, em seis meses, ao assumirmos, fazer dele o calçadão mais bonito, mais moderno do Brasil, com um piso em que haja realmente condições de ir e vir. Isso faz com que as pessoas voltem a consumir no Centro da cidade. Porque agora a concorrência com os shoppings aumenta cada vez mais, e mais ainda com a instalação de novos shoppings na cidade. Na minha gestão, creio que não vamos mexer no horário do comércio; a não ser que os próprios comerciários se entendam com a classe patronal, como vem acontecendo mais recentemente, e haja concordância entre eles.


LUIZ CARLOS HAULY (PSDB)
Nossa proposta é discutir com comerciários, comerciantes e com a população esta matéria. Londrina é um cidade moderna, é centro comercial de uma região de 4 milhões de habitantes, e depende muito do comércio e da prestação de serviços, notadamente da prestação de serviços educacionais, de saúde e de outras áreas. E o comércio se destaca sobremaneira. Pretendemos valorizar muito o centro vivo de Londrina, por meio da reconstrução de todo o Centro, do calçadão de Londrina, com estacionamento nas praças e ruas, para que possamos ter uma melhor infraestrutura que valorize o comércio de Londrina. Há uma legislação competente hoje, e clara, que harmoniza o interesse do comerciante e do comerciário. Temos que respeitar ambas as partes e valorizá-las.


LUIZ EDUARDO CHEIDA (PMDB)
Comércio deve ser livre. Existem o sindicato patronal e o dos trabalhadores – eles devem ter um acordo sobre isso. O que deve estar havendo em Londrina é uma desconfiança mútua: o sindicato dos comerciários desconfia que os comerciantes não cumprirão seus acordos – de pagamento de horas-extras adicionais, dos próprios adicionais, que são vários – e por isso não quer liberar os trabalhadores. Acho que o município pode e deve intermediar essa contenda, essa disputa. Acredito que já está na hora de Londrina resolver essa situação, essa quebra de braço, e me proponho a ser esse intermediador, pois já fiz isso no passado.


MARCELO URBANEJA (PTdoB)
No meu entendimento, o horário do comércio é uma questão que não foi discutida com quem deveria ser – ou seja, temos que sentar e resolver esse problema. Acredito que o comércio deve ser livre, como shoppings e tudo o mais, mas nessas situações devem constar situações, regras definidas que protejam os trabalhadores. Não é pensar só em gerar esse emprego, mas na qualidade desse emprego, pois corre-se o risco de ter uma legião de pessoas em turnos desgastantes, perdendo finais de semana com a família e sem qualidade de vida, o que vira um círculo ruim. Queremos, sim, é criar aqui vários parques temáticos para atrair gente da região, aí entra essa questão do horário do comérvcio. O prefeito tem autoridade para chamar essas partes e buscar um acordo em que todos realmente saiam satisfeitos, tanto o empregado quanto o empregador. Temos é que buscar o diálogo.



MARCOS COLLI (PV)
Até hoje não sei muito bem definir a palavra ‘‘provinciana’’. Nasci em Londrina, onde minha família já estava desde que aqui era só uma vilinha. E, olha: tenho vontade que Londrina não cresça muito, que continue sendo uma cidade em que as pessoas se cumprimentem na rua. Não tenho nada contra o fato de Londrina levar vida de cidade pequena, que é o acho que ela quis dizer com o termo provinciana – eu acho muito bom, até, que continue resguardando suas características, mas Londrina é uma cidade-pólo no Norte do Paraná, onde tudo acontece antes do que no resto do Estado. É uma cidade pujante, progressista, mas a gente precisa fazer com que Londrina se adeque a essa revolução de que a sociedade precisa. Porque é uma sociedade toda que evoluiu e que precisa ser mais bem atendida, inclusive no horário do comércio. Tenho plena concordância com ela de que precisamos desenvolver. Precisamos avançar com competência, mas, para responder essa pergunta com responsabilidade, eu diria: sou a favor do redimensionamento do horário do comércio, mas, para isso, o empresário precisa estar em condições de atender essa demanda.


VÍLSON MACHADO (PSol)
Não se trata apenas de alterar o horário comercial; nós, inclusive, somos favoráveis a que o comércio não funcione aos finais de semana. Existe uma falsa idéia de que o final de semana gera renda – isso não é verdade. Existe uma pesquisa científica, por um instituto de Porto Alegre, que afirma que o horário do final de semana é apenas para troca de mercadoria. Se tenho R$ 500 para gastar no mês, tanto faz gastar na segunda, na terça, no sábado ou no domingo. Não vou comprar mais no domingo só porque as lojas estão abertas; vou comprar o mesmo produto. O trabalhador tem direito a descansar no final de semana, e a própria Constituição Federal assegura os serviços essenciais, pois todo mundo necessita deles, ainda que em sistema de rodízio, isso a gente tem que respeitar. O que não significa que um hipermercado ou um shopping diga que tem que trabalhar no domingo porque aumenta o faturamento: não vai aumentar, porque quem compra é a elite, não é a periferia.

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