LONDRINA PERGUNTA
Márcio Vilela, engenheiro civil que integra o projeto Câmaras de Políticas Públicas (CPP), do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), e membro do Conselho Municipal de Planejamento Urbano (CMPU)
AMADEU FELIPE (PCB)
O Ippul é importantíssimo, pois é um órgão técnico que pode dar respostas às nossas necessidades de trânsito, necessidades de zoneamento... Todas essas questões que são vinculadas à tecnologia do crescimento, a fim de direcionar para que lado o município vai se desenvolver, é papel do instituto. O Ippul não só vai ser respeitado: o Ippul vai ser valorizado, dinamizado e vai ter a correspondência do apoiamento da necessidade que ele tem com relação à população.
ANDRÉ VARGAS (PT)
Entendo que o próprio debate sobre o zoneamento da Prefeitura tem que ser aprovado na Câmara no novo Plano Diretor, onde se avaliará se o Legislativo tem ou não competência para legislar. Todas as Câmaras do Brasil têm competência para isso, maior ou menor, de acordo com as condições que são dadas aos institutos de planejamento. E nosso planejamento é chegar a um Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano como o de Curitiba, com capacidade técnica, equação financeira, tendendo a ser um organismo que se imponha com muito mais respeito. Claro que não se pode falar aqui em valores, mas o objetivo é transformar o Ippul em um instituto de planejamento efetivo - já tem avanços, assim como o CMPU também tem seu peso. Mas é um Plano Diretor bem aprovado pela Câmara de Vereadores que dará ao Ippul o peso necessário, e aí a estrutura financeira nós vamos prover de maneira adequada.
ANTONIO BELINATI (PP)
Não tem como se pensar no desenvolvimento de uma cidade, seja ela grande ou pequena, sem planejamento. Infelizmente, em razão de tudo que aconteceu na Câmara de Londrina, o Ippul praticamente ficou mutilado: colocaram a cabeça do instituto na guilhotina, o amarraram e amordaçaram para que nada fosse feito em termos de planejamento para a cidade. Há quantos anos se discute o Plano Diretor, que a Câmara tem engavetado, protelado nessa discussão? Por quê? Porque é aquilo que nós vimos: alguns, investidos da função de vereador, utilizavam até o planejamento da cidade, em especial o próprio planejamento, para extorquir dinheiro de empresários, da população, de quem precisava fazer alteração que cabia, que era procedente, ou mesmo que era indevida. Creio que a partir de 1º de janeiro, com esses fora da Câmara, vai ficar muito melhor para o prefeito administrar e ter a serenidade com a renovação de boa parte da atual legislatura. O Ippul é um órgão que será fortalecido, porque até agora infelizmente esses indivíduos que estavam investidos da função de vereador, agora, a cidade sabe que não tinham o menor interesse em planejamento algum.
BARBOSA NETO (PDT)
Logo de cara, vou abrir concurso público à contratação de engenheiros, arquitetos e técnicos para que o Ippul volte a funcionar e tenha um molde a ser seguido, como o Ippuc, de Curitiba. Na nossa administração, vamos enviar um projeto de lei à Câmara Municipal para que os vereadores deixem de tratar de questões de zoneamento, de parcelamento de solo - isso tem que ficar sob a responsabilidade de técnicos do Ippul, não pode sofrer ingerência política nem mesmo do próprio prefeito ou de vereadores. Essa é uma bandeira que vamos respeitar na nossa administração, e creio que o Ceal tem um papel fundamental até na fiscalização, por meio do CMPU, para que ele possa também orientar e ter uma participação efetiva nessa fiscalização.
LUIZ CARLOS HAULY (PSDB)
Primeiro, vamos trabalhar a valorização do servidor municipal. Conversando com vários funcionários de diversos setores da Prefeitura, observamos que há um desestímulo, um desencontro muito grande no meio do funcionalismo. Pretendemos recuperar a auto-estima, a integração, a participação e valorização deles em todos os sentidos, para que possamos, ao estimulá-los, estimular também as respectivas áreas de prestação de serviços e execução de obras do Município. A Prefeitura é o coração da cidade, e o Ippul é o coração da Prefeitura, porque é o órgão de planejamento, e a Londrina de hoje se ressente da falta de um planejamento estratégico maior. Daremos todo o suporte financeiro, o apoio político e técnico necessário para que o Ippul possa exercer plenamente suas funções. E quanto aos projetos que vão para votação na Câmara, de iniciativa do Legislativo ou do Executivo, especialmente da área zoneamento, terá de ser feita publicização deles 30 dias antes para evitar votações na calada da noite.
LUIZ EDUARDO CHEIDA (PMDB)
Fui eu que fiz o Ippul, um órgão de pesquisa e planejamento urbano que jamais havia existido em Londrina até a minha administração (1993/1996). Além do instituto, fiz ainda a Comurb (Companhia Municipal de Urbanização, atual CMTU) e a AMA (Autarquia Municipal do Ambiente, hoje Sema), três órgãos importantíssimos para colaborarem com o planejamento e o futuro de Londrina. Na minha época, o Ippul tinha todos os recursos disponíveis - a partir de janeiro, como prefeito, ele os continuará tendo, pois essa é uma das realizações mais preciosas que tenho na vida. Entendo como ninguém que o planejamento é a melhor maneira de você ter uma cidade com qualidade de vida desejável.
MARCELO URBANEJA (PTdoB)
A deficiência financeira de funcionários não é só no Ippul, toda a máquina administrativa está passando por isso. Nos últimos oito anos, tivemos processo de destruição dos serviços públicos, e o Ippul passou por esse processo da mesma maneira, ou seja, são colocadas pessoas nesse instituto e temos lá servidores públicos de carreira que fazem um belíssimo trabalho, que têm a idéia da continuidade do serviço, mas isso não flui porque as pessoas que estão administrando isso têm compromisso político-partidário maior que o compromisso com a cidade - isso que está estragando Londrina nos últimos anos. Londrina consome hoje cerca de R$ 20 milhões com cargos comissiomqados no ano - e evidente que quando gasta demais por um lado, evidente que tem dificiências por outro. Precisamos, portanto, organizar nossa máquina administrativa - e com certeza o Ippul tem sua finalidade e tem que ser estruturado de tal maneira que não sofra ingerência política nesse sistema.
MARCOS COLLI (PV)
Tenho muito prazer em responder essa questão: em 1996 fui diretor da Comurb, o que me acrescentou uma experiência extraordinária. Ali, conheci de perto a experiência do Ippul, um órgão pulsante, o cérebro da cidade no que se refere à urbanização, à organização e às decisões estratégicas. É um órgão de primeiro escalão de toda a infraestrutura da administração pública, porque trata organização, do desenvolvimento que a infraestrutura da cidade vai proporcionar ao cidadão que mora aqui. A importância a ser dada na nossa gestão, portanto, é a de número um: que o Ippul esteja no mesmo escalão que a saúde e a educação cuida da organização da cidade onde as pessoas moram e precisam se sentir bem.
VÍLSON MACHADO (PSol)
Temos que não criar, mas implementar esse instituto - com orçamento próprio, enquanto autarquia municipal, secretaria especializada, para que tenha dados atualizados. Vi um livro que a Prefeitura lançou ano passado, pela Secretaria Municipal de Planejamento, com dados sobre o município - a última edição é de 2007, com alguns números do ano de 2006, mas a grande maioria das informações que lá constavam era de 2000. Estão super defasados tanto em termos de dados numéricos quanto qualitativos e quantitativos, também. Precisamos ter uma pesquisa, e, para isso, aproveitando os recursos humanos de que a própria Prefeitura dispõe. As equipes de saúde dos postos, por exemplo, têm que ser melhoradas, implementadas, inclusive, para que a população tenha serviço de qualidade, com as equipes do atendimento domiciliar, e essas possam coletar dados reais. Temos dados do IBGE coletados a cada temporada, mas com efeitos que demoram muito a chegar à população. Então, a Prefeitura precisa implementar esse instituto no sentido de aproveitar toda a máquina administrativa na coleta de dados. E aí tem que ser a partir da base mesmo, visitando domicílio por domicílio, a partir da realidade econômica daquela família. Uma administração precisa de dados reais para poder se planejar.





