Encerrada a apuração dos votos ao Legislativo estadual e federal, Londrina saiu menor em representatividade. A principal cidade do interior e a segunda maior do Estado manteve as três cadeiras na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná) e reduziu de quatro para apenas uma vaga na Câmara Federal. Um dos resultados da falta de liderança nas duas casas legislativas deve ser a perda de força política para fazer a captação de recursos para o município e articulação no Congresso Nacional.

Na Alep, saíram Tercilio Turini (MDB), Cloara Pinheiro (PSD) e Jairo Tamura (PL). Os três tentaram a reeleição, mas não tiveram votos suficientes para permanecerem em seus cargos. A partir de 1º de janeiro de 2027, eles serão substituídos pela vereadora Jessicão (PL), a segunda colocada entre os deputados estaduais mais votados no Paraná, com 131.672 votos, o vereador David Wisley (Novo), que teve 31.933 votos, e o ex-secretário municipal de Saúde, Felippe Machado (PP), eleito com 43.300 votos.

Em Brasília

Situação mais preocupante é na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), que a partir do ano que vem terá apenas um londrinense entre os 513 parlamentares eleitos. O ex-prefeito Marcelo Belinati (PP) foi o único que angariou votos suficientes, totalizando 83.905.

Atualmente, a bancada de Londrina na Câmara Federal é formada por Luísa Canziani (União), Diego Garcia (União), Filipe Barros (PL) e Luiz Carlos Hauly (Pode). Barros concorreu a uma cadeira no Senado e foi o mais votado no Paraná, com o apoio de 3.148.583 Canziani e Garcia não se reelegeram. A deputada recebeu 80.442 votos e seu colega de partido, 46.072 votos. Hauly não tentou a reeleição.

"Um desastre"

O professor de ética e filosofia política Elve Cenci classificou o resultado das eleições ao Legislativo federal como "um desastre". "Nós temos 30 deputados. Somos o segundo colégio, a segunda cidade e ter um deputado eleito é para uma cidade de, no máximo, cem mil eleitores. Não dá para uma cidade de 400 mil eleitores eleger só um deputado federal. É preocupante. Significa um vazio de lideranças competitivas. Nosso município vai ser atropelado por outros municípios que terão força política maior na briga por recursos em Brasília e na defesa dos interesses de Londrina", avaliou.

Sobre os novos deputados estaduais, o analista político prevê que Jessicão terá "enorme dificuldade" com as pautas a serem defendidas no Legislativo estadual e Wisley tem como foco a causa animal. "O Felippe talvez se adapte melhor na Assembleia por ter mais experiência em gestão."

Preocupação

O prefeito Tiago Amaral vê a perda de representatividade na Câmara dos Deputados como um ponto negativo resultante desse pleito. "Dependemos desse deputado federal para emendas, articulação, captação de recursos e articulação no Congresso. Nos preocupa", afirmou.

Ele destacou, no entanto, como duas conquistas muito importantes a vitória de Filipe Barros ao Senado e de Jessicão à Alep. "O Filipe leva Londrina como a grande representada do Paraná no Senado e a Jessicão teve uma votação muito expressiva. Eu, na última eleição (para deputado) tive 112 mil votos. Ela teve uma votação maravilhosa, o que joga para ela uma responsabilidade enorme de ser a grande representante de Londrina na Assembleia."

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