Londrina está entre cidades que menos receberam recursos federais
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terça-feira, 20 de novembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Alardeada na campanha passada praticamente como ''a menina dos olhos'' do governo federal, Londrina amarga a 86 posição no ranking das 100 cidades brasileiras que mais receberam verbas de investimento da União, em 2007, no cálculo por habitante. Em relação aos municípios do Paraná, a cidade está atrás, por exemplo, de Maringá (4), Foz do Iguaçu (77) e Cascavel (84), cujas administrações sequer são dominadas pelo PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os números constam do mapa de distribuição das verbas federais, por meio de convênio, divulgado ontem pelo jornal Folha de S. Paulo e elaborado a partir de um cruzamento feito pelo veículo baseado em dados do sistema de acompanhamento dos gastos federais (Siafi).
O mapa analisou a distribuição de verbas federais em 2007 para as 100 maiores cidades, em reais por habitante, e incluiu empenhos e valores pagos este ano, além de restos a pagar dos anos de 2006, 2005 e 2004. O levantamento apontou, por exemplo, que entre as 30 que mais se beneficiaram, 26 são administradas por partidos da base aliada de Lula. Já entre as 30 que menos receberam, 11 são de oposição, duas do PT - Londrina, com R$ 3,50 investidos por habitante, e Viamão (RS), na 78 posição, com 5,80. Em Maringá, são R$ 75; em Foz, R$ 6,30, e R$ 4 em Cascavel. Por este cálculo, Londrina teria investidos este ano pouco mais de R$ 1,7 milhão da União.
A situação londrinense contrasta com a representatividade da cidade no alto escalão do governo Lula: além de um ministro (Paulo Bernardo, do Planejamento), há ainda o chefe de gabinete do presidente (Gilberto Carvalho) e uma secretária executiva ministerial (Márcia Lopes, do Desenvolvimento Social). Esses nomes, por sinal, estamparam a propaganda pela reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT), no pleito de 2004. Na ocasião, eles foram atrelados a uma suposta facilidade em se obterem verbas da União à cidade.
A FOLHA não localizou Nedson para comentar os números. A Coordenadoria de Comunicação da Prefeitura não os contestou, mas salientou que não englobam ''investimentos em habitação, em saneamento, educação e saúde, por exemplo''.
Para o professor de Direito Administrativo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Antônio Baccarim, investimentos - aqui consideradas, entre outros, obras de infra-estrutura urbana - têm critério de repasse ''mais político que técnico ou social''. ''E são verbas que têm de estar alocadas no Orçamento da União. Infelizmente, o que parece prevalecer nisso é a questão partidária'', reclamou, para completar: ''Mas ninguém faz milagre: tem que ter empenho, interesse do gestor em correr atrás da verba''.


