LONDRINA DE LUTO - Corpo do ex-prefeito Wilson Moreira é enterrado
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domingo, 17 de fevereiro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Autoridades e pessoas anônimas se esbarravam nos corredores da Câmara de Vereadores de Londrina na manhã de ontem para dar o último adeus ao ex-prefeito Wilson Moreira, que faleceu sábado, aos 84 anos, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e de uma broncopneumonia. Oficialmente, cerca de 200 pessoas deixaram mensagens de apoio à família do político, num livro de condolências disponibilizado pela Acesf durante o velório, que teve duração de um dia. Extra-oficialmente, milhares prestaram sua última homenagem àquele que foi considerado por todos um ser humano exemplar.
As vizinhas Djacira Duarte, 55 anos, e Anni Oliveira, 45, moradoras do Jardim Bandeirantes, Zona Oeste de Londrina, levantaram cedo, às 6h da manhã, para se despedir do político. Além de velar o corpo, elas decidiram acompanhar o enterro, por volta das 10 horas, no Cemitério São Pedro, no Centro da cidade. ''Vim também em homenagem ao meu marido, que já é falecido, porque quando ele era vivo era o maior fã de Wilson Moreira'', disse Djacira.
Para a dona de casa, a fama de pão-duro até favorecia a imagem do ex-prefeito. ''Para governar tem que ser pão-duro mesmo. Tem muitos por aí que guardam, mas não dão nada para os pobres'', salientou. Para ela, os políticos de hoje deveriam levá-lo como exemplo. ''Tem que comer muito feijão para ser como o Wilson Moreira. Se todos fossem como ele, a cidade estaria limpa e bonita'', avaliou. Já Anni Oliveira elogiou o livro sobre as memórias do ex-prefeito. ''Inclusive fui ao lançamento e comprei um exemplar. Achei a história maravilhosa'', opinou a cozinheira.
Moradora do Jardim Igapó (Zona Sul), Maria Alves, 76, também decidiu prestar uma última homenagem ao prefeito que melhor remunerou seu marido, na época em que ele ainda era funcionário da prefeitura de Londrina. ''Meu marido trabalhava fazendo ponte e o Wilson Moreira era o único que pagava certo e muito bem. Ele era muito bom'', contou a dona de casa, viúva há um ano. ''O bom mesmo vai indo embora'', lamentou.
Pioneiros na história de Londrina, os amigos Antônio Rossafa Garcia, 85, Aubner Lyra, 84, e Valdemar Pegoraro, 81, reuniram-se ao lado de fora da Câmara Municipal para relembrar os tempos em que Moreira ainda comandava a cidade. ''Sempre considerei Wilson Moreira como um grande prefeito. Londrina precisa de gente como ele ou para melhor'', declarou Garcia, que trabalhou por 23 anos na Casa Real, uma antiga loja de calçados frequentada pelo ex-prefeito.
''Eu o conheci quando ele ainda era gerente da Semp, uma loja de materiais elétricos. Lembro quando a loja pegou fogo e ele resolveu comprar o local. De gerente virou dono'', recordou Aubner Lyra, que já arrendou fazenda e vendeu gado para o ex-prefeito no início da década de 1950. ''Votei nele em todas as eleições que ele disputou. Ele era firme, querido, honesto e sério. Precisamos eleger em Londrina um homem com as qualidades dele.''
Para Valdemar Pegoraro, que fez parte do primeiro batalhão do Tiro de Guerra de Londrina, em 1947, e trabalhou numa das primeiras padarias da cidade, Moreira foi o prefeito que ''encaminhou Londrina''. ''Ele via uma luz acesa de dia, ia lá e apagava. Foi bom, ele economizava enquanto os outros destruíam'', afirmou. Conhecido da família do ex-prefeito, Pegoraro definiu o político como uma pessoa ''honesta, carismática e caxias''.


