Londrina funcionava como importante centro de arrecadação e distribuição do dinheiro que teria sido desviado da Prefeitura de Maringá pelo ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi. A informação foi dada pelo promotor José Aparecido Cruz, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Maringá, responsável pelas investigações de corrupção na prefeitura.
A Folha conseguiu apurar que, através da ajuda de pessoas influentes na sociedade londrinense, contas em nome de laranjas eram usadas para recepcionar os valores desviados. O dinheiro seguia depois para outros pontos. Cruz já ouviu 10 pessoas de Londrina. Algumas não tinham conhecimento do esquema e imediatamente concordaram em abrir as contas bancárias.
Apenas nos últimos quatro anos, durante a administração do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido, afastado pela Justiça), o desvio passa de R$ 50 milhões conforme auditoria do Tribunal de Contas. Deste total, o Ministério Público (MP) já chegou ao desvio de R$ 30 milhões. ‘‘O importante agora é rastrear o dinheiro para sabermos quem são os envolvidos e os beneficiados’’, disse Cruz ontem.
Segundo o promotor, existem beneficiados em vários pontos do Brasil e também uma parte foi enviada ao exterior. A investigação do MP já apurou que recursos do município foram usados pelo ex-prefeito e por Paolicchi na compra de colheitadeiras de grãos. Eles têm propriedades vizinhas em Nova Mutum (MT). Das cinco colheitadeiras, três ficaram com Paolicchi e duas com Gianoto. Cada máquina está avaliada em R$ 110 mil.
Cruz conseguiu chegar também a um cheque de R$ 98 mil desviado da prefeitura, que foi parar na conta do Instituto de Previdência dos Congressistas, em Brasília. O depósito foi feito em janeiro de 1999, na administração de Gianoto, e deve ter beneficiado algum deputado que ‘‘dava’’ apoio ao ex-prefeito. O promotor disse que ainda não existe comprovação do nome do responsável pelo depósito, mas que o MP do Distrito Federal se comprometeu a levar adiante a investigação.
Para Cruz, as investigações em torno do desvio de dinheiro da prefeitura ‘‘estão aceleradas’’. Ele aponta que não está havendo atraso nas medidas judiciais, já que o MP precisa de provas para não dar margens a contestações. ‘‘Mesmo com provas os advogados de defesa contestam tudo.’’
Cruz observa que as investigações estão centradas no período de 97 a 2000, na administração de Gianoto. Mas o pedido de quebra de sigilo bancário abrange os últimos 16 anos. Ele lembra que Gianoto perdeu o foro privilegiado (não é mais prefeito), por isso, o processo de improbidade administrativa contra ele deve ser transferido do Tribunal de Justiça para a comarca de Maringá.
O ex-prefeito foi incluído no processo que já tramita contra Paolicchi e outros servidores, acusados de participar do desvio. Se comprovadas outras irregularidades contra ele, os fatos serão incluídos no processo já existente. Dependendo das condições, explica Cruz, pode ser pedida a prisão preventiva também do ex-prefeito. Paolicchi está preso desde o dia 7 de dezembro.

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