A Câmara de Vereadores de Londrina aprovou ontem, em primeira discussão, a realização de um plebiscito sobre a venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel). A proposta é do vereador Jamil Janene (PDT) e passou por 19 votos favoráveis, uma abstenção e uma ausência. Embora reconheça que juridicamente o resultado do plebiscito será inócuo, Jamil aposta no resultado político da consulta popular. ''Tenho certeza que será uma forma de mostrar aos deputados estaduais que eles devem aprovar o plebiscito'', comentou, sobre o projeto que tramita na Assembléia Legislativa.

O presidente da Câmara, Tercílio Turini (PSDB), disse que é contra a venda da Copel e a favor do plebiscito, mas irá se reunir hoje com a Procuradoria Jurídica e a direção administrativa do Legislativo para discutir a viabilidade da proposta. Parecer da Comissão de Justiça da Câmara alertou que a Copel é uma empresa de economia mista estadual e deixou a matéria à cargo do plenário.

Turini afirmou que não é tão simples realizar um plebiscito em Londrina. Ele lembrou que na consulta popular sobre a venda da Sercomtel Celular foi preciso contar com a ajuda do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Segundo ele, é preciso definir quem pagaria as despesas, que não poderia ser feito pela Câmara. ''Além de recursos, é preciso o apoio da Justiça Eleitoral.'' A assessoria do TRE informou que o tribunal irá se pronunciar sobre o assunto após receber os requerimentos dos municípios interessados.

A vereadora Sandra Graça (PSB) disse que se absteve da votação porque o projeto entrou em regime de urgência e ''não teve tempo de estudar a matéria''. Ela ressaltou que é preciso respeitar a decisão da Assembléia Legislativa (AL), que derrubou o projeto de iniciativa popular que tentava barrar a venda da Copel. Para a vereadora, o plebiscito seria um projeto meramente político.

''Temos de lutar pela indenpendência dos poderes, sou contra a venda da Copel como fui contra a venda da Sercomtel Celular. Lá na Assembléia estão deputados eleitos pelo povo e tenho que respeitar a posição do plenário em nível estadual'', afirmou Sandra Graça.

Em Foz do Iguaçu, a Câmara vota hoje o decreto legislativo prevendo a realização da consulta popular. O vereador Francisco Brasileiro (PC do B), um dos autores da proposta, acredita que o plebiscito será aprovado por unanimidade. ''O povo quer decidir sobre o futuro da Copel. A maioria dos deputados desconsiderou a vontade de 93% da população, que são contra a privatização da estatal de energia'', ressaltou.

mockup