Londrina ainda não tem secretários na lista de Ratinho Jr. para 2023
Governador reeleito conquistou 76% dos votos válidos no município, mas não nomeou nenhum representante londrinense no primeiro escalão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de dezembro de 2022
Governador reeleito conquistou 76% dos votos válidos no município, mas não nomeou nenhum representante londrinense no primeiro escalão
Guilherme Marconi - Grupo Folha 
O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), anunciou até agora 11 nomes para compor o primeiro escalão do seu segundo mandato a partir do dia 1º de janeiro de 2023. Embora ele tenha conquistado 76% dos votos válidos em Londrina na sua busca pela reeleição ao Palácio Iguaçu, até agora não há na lista do futuro secretariado nomes do maior município do interior do Estado, seja por indicações do setor produtivo, de entidades de classe ou do rol de partidos que fizeram parte da campanha eleitoral para reeleição.

Eleito primeiro suplente na Assembleia Legislativa do Paraná, o presidente da Câmara Municipal de Londrina, Jairo Tamura (PL), afirma que ainda há uma expectativa de maior representatividade londrinense no governo do Estado, contemplada com o comando de uma pasta importante. "Infelizmente até agora não temos nenhum nome da cidade nomeado no governo e isso nos entristece muito. Todas as forças políticas e entidades de diversos segmentos pleiteiam isso. Há essa vontade de Londrina estar mais próxima do governo, levando nossas demandas não somente por deputados. Vejo que o governador deveria levar em conta essa expressiva votação em Londrina, sendo a segunda maior cidade do Paraná pela importância", diz.
Também aliado de Ratinho Junior na campanha para reeleição, o prefeito Marcelo Belinati (PP) minimiza o fato de Londrina não contar, pelo menos até agora, com uma nomeação no primeiro escalão do próximo mandato do governador. "É claro que é importante ter londrinenses também participando do governo. Mas muito mais importante que isso é o governo estadual trabalhar em parceria com a prefeitura, destinando recursos para cá e dando importância devida à cidade e região. Francamente, não é algo que me preocupa." O prefeito alega que a parceria tem funcionado, mesmo sem representante local despachando diretamente do Palácio Iguaçu.
Apesar de uma estruturara inflada com previsão de 24 pastas para 2023 contra 15 secretarias, os nomes de londrinenses não são cotados nem por interlocutores de Ratinho Junior procurados pela FOLHA. O governador foi eleito em 2018 defendendo uma estrutura mais enxuta da máquina pública e corte de gastos. Mas a nova reforma administrativa foi aprovada com nove novas pastas pela Assembleia Legislativa. A estrutura prevê novas secretarias como da Cultura, Esporte, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mulher e Igualdade Racial, que até então tinham status de superintendência.
ANÁLISE
Para o professor de ética e filosofia política da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Elve Cenci, o grande número de partidos políticos representados na Câmara de Vereadores e fragilidade das legendas são fatores que interferem negativamente na representatividade da região em Curitiba. "Com exceção do PP, que é o partido do prefeito, quase que um vereador tem um partido para chamar de seu. São muitos partidos que acabam pulverizando a força política."
Segundo o analista, a falta de representatividade do Norte do Estado no primeiro escalão do governo reflete diretamente em investimentos em infraestrutura ou de políticas públicas que até hoje ou não saíram ou ainda estão em fase de início de execução. "Dá para imaginar que até hoje a PR-445 de Londrina a Mauá da Serra não está duplicada? Como Londrina não fez essa pressão maior? Isso é falta de força política. Há uma postura excessiva de reverência e respeito aos governadores", justifica Cenci.
Outro ponto que merece destaque, segundo o professor, é que aparentemente não há lideranças locais, tanto políticas quanto empresariais, que queiram extrapolar os muros da politica local. "Ainda atribuo a isso a ausência de protagonismo. Em praticamente todas as cidades, vemos lideranças de destaque de municípios do Paraná. Será que outros municípios identificam esse nome forte de Londrina?", questiona.
Elvi Cenci cita a proximidade do deputado estadual Tiago Amaral (PSD) com Ratinho Junior como exceção. "Temos um pequeno número de deputados e acredito que há falta de protagonismo dos deputados que estão na AL. Se Ratinho Junior olha para o lado e não enxerga nenhuma força de Londrina, ele irá colocar pessoas de outras regiões no seu governo."
Além do primeiro escalão de Ratinho Junior, Cenci lembra que há décadas Londrina também não forma políticos de expressividade estadual ou nacional com força para disputar cargos como de governador, vice-governador e de senador da República. "O último nome de expressão foi de Alvaro Dias, que teve o início da sua carreira política em Londrina há mais de quatro décadas", pontua. Cenci não considera o ex-governador Beto Richa, que é nascido em Londrina, mas fez carreira em Curitiba, começando sua trajetória política como deputado estadual e prefeito da capital. "Desde José Richa (ex-governador) há quanto tempo Londrina não indica um nome competitivo ao governo do Estado ou ao Senado?", questiona.
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