Patrícia Zanin
De Londrina
A Câmara de Vereadores de Londrina adiou para amanhã a votação da proposta de criação de Comissão Especial de Inquérito (CEI) do Narcotráfico. A CEI seria discutida ontem, mas não entrou na pauta. Não há garantias de que o requerimento da CEI, proposto pelo vereador Carlos Kita (PSDB) e subscrito por outros seis vereadores, seja aprovado. ‘‘Aprovar para instalar e não funcionar não adianta’’, argumentou ontem o companheiro de bancada de Kita, Roberto Kanashiro, um dos que assinaram o requerimento.
Anteontem, Kanashiro dizia que a CEI trabalharia para encontrar conexões do crime organizado e do narcotráfico. ‘‘O pessoal da Câmara tem colocado que, com muitas comissões funcionando ao mesmo tempo, ficaria difícil mexer no assunto’’, argumentou ontem. O presidente da Câmara, Renato Araújo (PPB), fez coro. ‘‘Temos nove comissões funcionando atualmente’’, enumerou, referindo-se às comissões especiais, especiais de inquérito e de sindicância.
Ele argumentou ainda que não há espaço físico, vereadores nem funcionários. ‘‘Mas o plenário é soberano para decidir’’, argumentou. Ele acha, porém, que, se aprovada, a CEI será inócua. ‘‘Vai levantar o quê?’’ Porém, quando questionado sobre a investigação pela CPI do Narcotráfico de uma casa de câmbio que funcionava em Londrina – a AG Câmbio e Turismo – admitiu que o fato é expressivo. ‘‘Mas este assunto já está sendo apurado pela esfera federal’’.
O vice-presidente da Câmara, Jorge Scaff (PSB), reconheceu que a não-aprovação da CEI deverá causar frustração na comunidade. ‘‘Se não aprovar, não é má vontade, mas dificuldade’’, explicou. Ele acredita ainda que o recesso a partir deste mês acabará prejudicando os trabalhos da comissão.
A tese é contestada pelo vereador Osvaldo Bergamin (PMDB), que assinou o requerimento. ‘‘Eu trabalharia tranquilamente durante o recesso nessa CEI’’, afirmou. Para ele, apesar do grande número de comissões funcionando na Câmara, existem vereadores que não estão envolvidos em nenhuma, como é seu caso.

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