Lobista preso na Lava Jato procurou filho de presidente do TCU
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segunda-feira, 02 de novembro de 2015
Felipe Bächtold<br>Folhapress 
São Paulo - Alvo de processo no TCU (Tribunal de Contas da União), o lobista João Augusto Henriques, preso na Operação Lava Jato, procurou o escritório de advocacia do filho do atual presidente do órgão, Aroldo Cedraz, depois que soube "dos vínculos" que o advogado tinha no Tribunal de Contas.
Henriques, detido na mais recente fase da operação, em setembro, disse à PF que tinha sido considerado responsável por irregularidades na BR Distribuidora nos anos 90, quando foi diretor da subsidiária da Petrobras, e podia ser obrigado a ressarcir os cofres públicos.
Segundo o relato dele, Jorge Luz, um outro lobista com atuação na Petrobras, teve a ideia de procurar Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, para a ajudar a "encerrar o processo no Tribunal de Contas".
Tiago Cedraz virou alvo de investigação na Lava Jato depois de ter sido citado em depoimento de delação pelo empreiteiro Ricardo Pessoa. O delator contou que pagava R$ 50 mil por mês ao advogado para receber informações do TCU.
Henriques disse no depoimento que não houve "menção a realização de pagamentos a fim de facilitar a resolução do processo junto ao tribunal" nem de propina para agentes públicos. Pelo relato do lobista, Tiago Cedraz prometeu ajudar, mas "nada fez". No depoimento, disse que um outro advogado cuidava do caso de maneira "completamente dissociada" de Tiago Cedraz.
Procurado, o escritório de Tiago Cedraz disse, por meio de sua assessoria, que o advogado recebeu Henriques e Jorge Luz para uma consulta em 2010 a pedido do deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE). Mas afirma que apenas fez uma análise sobre o caso que tramitava no TCU e que não chegou a ter uma atuação formal no processo.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Jorge Luz.


