Brasília - O lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, disse ontem em depoimento à Corregedoria do Senado Federal que não utilizou recursos da empresa para pagar pensão em nome do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) à jornalista Mônica Veloso - com quem Renan tem uma filha fora do casamento.
  Gontijo manteve a mesma versão de Renan para o episódio ao afirmar que, como amigo do senador há mais de 20 anos, recebia dinheiro todo mês do presidente do Senado e apenas repassava os recursos para a jornalista. Segundo relato do corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), o lobista deixou claro que ‘‘todo o dinheiro que entrou na sua mão saiu do Renan’’.
  O corregedor disse estar convencido da versão apresentada por Gontijo. ‘‘Dentro de toda a mecânica de análise, ele [Renan] tinha verba de sobra para efetuar os pagamentos com seus próprios recursos. O Gontijo foi convincente, sereno, tranqüilo e confirmou as datas.’’
  O corregedor afirmou que o pagamento era efetivado à jornalista no dia 5 de cada mês. Inicialmente, Renan entregava em dinheiro R$ 8 mil a Gontijo para o pagamento da pensão a Mônica Veloso, além de R$ 4 mil para despesas com segurança.
  Nesse período, Renan teria repassado R$ 40 mil à jornalista para pagar aluguel por 12 meses, em Brasília.
  Posteriormente, segundo o relato de Gontijo, a jornalista preferiu mudar para um apartamento, quando Renan deixou de pagar R$ 4 mil para gastos com segurança - mas passou a repassar o mesmo valor para o aluguel de um apartamento na capital federal.
  Segundo denúncia publicada pela revista ‘‘Veja’’, Renan repassava R$ 12 mil todo mês à jornalista com recursos da Mendes Júnior. Gontijo afirmou à corregedoria, no entanto, que nunca envolveu a empresa em suas negociações com Renan.
  O corregedor disse que ainda precisa comprovar que o dinheiro sacado por Renan era efetivamente entregue à jornalista.
  ‘‘Eu quero que ela (Mônica) me apresente documentos. Eu não posso pedir a quebra do sigilo dela, mas temos que chegar se esses depósitos foram mesmo para ela’’, afirmou.
  Tuma sinalizou que não vê elementos para que Renan sofra um processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar. O corregedor, no entanto, evitou adiantar oficialmente sua posição sobre as denúncias. ‘‘Eu não vou dar palpite. O Conselho de Ética é que tem que decidir se vai abrir processo ou não.’’
  O conselho de reúne hoje para discutir a representação contra Renan apresentada pelo PSOL. Tuma adiantou que não pretende aceitar a relatoria do processo contra Renan caso o conselho acate a denúncia.

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