Lobista confirma que fiscais do Rio cobravam propinas
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quarta-feira, 12 de março de 2003
Agência Folha 
Rio de Janeiro - O empresário e lobista Romeu Michel Sufan disse ontem à CPI do ''Propinoduto'' que o fiscal Rômulo Gonçalves aceitou suspender a fiscalização na Light em 1999, desde que fosse paga uma propina de US$ 3 milhões.
Segundo ele, a propina deveria ser tratada na negociação com os fiscais estaduais pela senha de ''três quibes com hortelã'', a pedido de diretores da empresa, numa referência à ascendência árabe do lobista. A propina não foi paga.
Gonçalves é um dos suspeitos de ter enviado ilegalmente dinheiro para a Suíça, em conjunto com Rodrigo Silveirinha Corrêa, ex-subsecretário de Administração Tributária no governo Anthony Garotinho (1999 a abril de 2002).
Sufan foi flagrado por um vídeo gravado pela direção da Light, intermediando o pagamento da propina com o assessor da presidência da empresa, José Srur, também ouvido ontem pela CPI. Na fita, ele diz que ficaria com 10% dos US$ 3 milhões. Em troca, além da interrupção na fiscalização, a Light teria R$ 100 milhões em multas canceladas.
Sufan, que chegou a chorar ontem, disse que foi vítima de uma armação da direção da Light. Afirmou que foi contratado pela empresa, por intermédio de Srur, de quem é amigo há 15 anos, para um serviço de consultoria.
Srur contou outra versão. Negou que tenha contratado Sufan e disse conhecê-lo apenas de vista, porque moram no mesmo bairro.


