Lobista confirma pedido de propina
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domingo, 08 de dezembro de 1996
Agência Estado<br>de Brasília 
O lobista Alfredo Moreira, da Construtora Andrade Gutierrez, depõe às 10h30 de terça-feira na comissão especial de sindicância da Câmara que apura as denúncias de corrupção envolvendo o líder do PTB, Pedrinho Abrão (PTB-GO). Ele vai dizer que Abrão, relator na Comissão Mista de Orçamento no setor de recursos hídricos, pediu comissão de 4% para manter no orçamento de 1997 as verbas destinadas à continuidade das obras do Açude Castanhão, no Ceará.
O vice-presidente da Câmara, deputado Ronaldo Perim (PMDB-MG), presidente da comissão especial de sindicância, disse que depois de Moreira serão ouvidos o secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Paulo Romano, o deputado João Leão (PSDB-BA) e, finalmente, o deputado Pedrinho Abrão. Romano e Leão foram os primeiros a ouvir a denúncia de Alfredo Moreira.
Isso ocorreu no dia 29 pela manhã, no Ministério do Meio Ambiente. Leão levou a denúncia à Câmara e ao presidente da Comissão de Orçamento, deputado Sarney Filho (PFL-MA), embora não tenha conseguido tirar de Moreira a assinatura que as legitimaria; Romano encaminhou a história da propina a seu chefe imediato, o ministro Gustavo Krause, que a passou ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
A comissão especial deverá pedir a cassação de Pedrinho Abrão. De uma coisa a sociedade pode ter certeza: a Câmara não terá atuação corporativa, afirmou o deputado Ronaldo Perim. O relator da comissão especial, deputado Hélio Bicudo (PT-SP), pretende entregar as conclusões do trabalho ao presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), na quarta-feira. Ele assegura que em casos como este, de denúncia de corrupção, bastam as provas testemunhais. A falta de documentos não comprometeria nada, mesmo porque ninguém dá recibo quando se trata de cobrança de propina.
No PTB há um movimento puxado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) para obrigar Pedrinho Abrão a renunciar ao cargo de líder do partido. Jefferson é aliado do governo e, informalmente, vem comandando o grupo dos que não aceitam a chefia de Abrão. Outros deputados que têm influência no PTB, como Nelson Marquezelli (SP), também acham que o melhor seria o afastamento de Abrão da liderança do partido. Eles temem que a denúncia de corrupção contra o deputado possa atingir o PTB.


