O lobby de um grupo de donos de postos de combustíveis deu certo. A Câmara de Vereadores de Londrina retirou ontem de pauta, por tempo indeterminado, o projeto de lei que abole o distanciamento mínimo entre esses estabelecimentos e, de quebra, proíbe neles a venda de bebidas alcoólicas. A proposta altera lei de 1995 e já havia passado em primeiro turno. Semana passada, porém, ela recebeu um substitutivo que restabeleceu distâncias mínimas em relação a escolas, creches, hospitais e postos de saúde, igrejas e áreas militares. Ficaram de fora mercados e supermercados, o que possibilitaria instalação de postos próximos a eles.
O projeto de lei tramita na Casa desde o ano passado e é assinado por um grupo de 10 vereadores encabeçado pelo decano do Legislativo, Renato Araújo (PP). A justificativa é que o estabelecimento de distâncias mínimas entre os estabelecimentos comerciais ''fere os princípios da livre concorrência, da livre iniciativa e da defesa do consumidor'', assegurados na Constituição Federal.
Na semana passada, donos de postos e até o presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Estado do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Roberto Fregonese, estiveram na Câmara defendendo a não aprovação da matéria. O argumento é que, com mais postos, diminuiria a litragem vendida em cada um deles e, com isso, os custos ficariam ainda mais altos para o consumidor. A mesma hipótese foi reapresentada ontem em um ofício dos proprietários de postos aos vereadores.
Para o empresário Sandro Zanchet, há seis anos dono de posto, não só a venda de combustível preocupa, como também a de bebida. Ele disse que só a conveniência ''responde por 20% da margem de lucro do posto''. Germano Gomes, dono de posto há 50 dias, concorda. ''No meu posto conveniência responde por mais de 50% do lucro; com mais postos, haverá enxugamento de pessoal, menos venda e aumento de preço'', aposta.
Araújo rebateu os empresários: ''O projeto não favorece mais postos. O que pega é a proibição de bebida - tanto que todos os vereadores aqui foram assediados pelos empresários''.

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