Lobão Filho diz que não pedirá licença
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Hudson Corrêa<br>Folhapress 
Brasília - O suplente de senador Edison Lobão Filho (DEM-MA) afirmou ontem que não pedirá licença do cargo após assumir a vaga deixada por seu pai, Edison Lobão (PMDB-MA), nomeado ministro de Minas e Energia. Lobão Filho disse que ''provavelmente'' não irá para o PMDB e que recebeu ''convite de três partidos pequenos''. O PTB, de Roberto Jeferson, também manifestou interesse em tê-lo em suas fileiras.
Apesar da declaração, ainda havia expectativa no Senado de que Lobão Filho assumisse a vaga e, em seguida, pedisse licença para completar sua defesa sobre as acusações de ter usado laranja para fugir de dívidas. Na semana passada, Lobão Filho afirmou que assumiria a vaga do pai, após apresentar a defesa.
Empresário no Maranhão, Lobão Filho teria usado laranjas para ocultar a sua participação societária na distribuidora de bebidas Bemar, que estava endividada. Uma empregada doméstica teve o nome usado sem a autorização dela.
No caso de Lobão Filho se licenciar, ocuparia a cadeira no Senado o 2º suplente, Remi Ribeiro Oliveira (PMDB-MA). ''Não, nada de licença. Eu não preciso de licença. Eu tenho toda a razão. Não vou ficar pautando minha vida com base em uma besteira dessa'', afirmou Lobão Filho.
Conforme o suplente de senador, a responsabilidade pela transferência, em 1998, de ações da Bemar para uma empregada doméstica, usada como laranja, é de seu ''verdadeiro sócio'' na empresa, o empresário Marco Antonio Costa.
Por meio de sei advogado, Costa confirmou à reportagem a versão de Lobão Filho. O suplente de senador, porém, é executado na Justiça de São Luís. O Banco do Nordeste cobra dívida de R$ 5,5 milhões relativa a empréstimo tomado pela Bemar em 1997. Lobão Filho foi sócio da Bemar de 1996 a 1998.
''Estou juntando meus documentos para poder dar entrada (apresentar defesa ao Senado) e só depois assumir. Se Deus quiser, quero resolver isso nesta semana. Mas, se Deus quiser, depois do Carnaval, eu dou entrada'', afirmou.
Quando surgiram as acusações, o DEM cobrou explicações de Lobão Filho. Ele afirmou que o partido foi injusto e anunciou sua saída da legenda. ''Recebi três convites de partidos pequenos. Estou escolhendo. Provavelmente, não será o PMDB. Vou ficar uns 30 dias sem partido para escolher com muito calma''.
Lobão Filho disse que ''o PMDB é um partido fantástico'', que acolheu seu pai ''maravilhosamente'', mas é um ''partido muito grande, muito pluralista, muito heterogêneo''. ''Eu quero um partido mais singular, menor, em que eu possa ter um espaço maior.''


