Brasília - A declaração do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de que não pretende continuar no cargo no próximo biênio movimentou a corrida sucessória na Casa. Nos bastidores, o nome do senador Edison Lobão (PMDB-MA) e do senador eleito pelo Ceará, Eunício Oliveira (PMDB), ganham força entre peemedebistas para substituir Sarney a partir de fevereiro de 2011.
Também cotado para assumir um ministério em eventual governo de Dilma Rousseff (PT), caso ela se eleja, Lobão seria um presidente do Senado da confiança da petista, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Sarney, de quem é amigo pessoal.
Com Lobão em seu lugar, Sarney permaneceria próximo ao poder, sem os ônus do cargo. Dilma, de quem Lobão se aproximou no período em que foi ministro de Minas e Energia, teria um aliado no comando do Senado. Além disso, o maranhense vem do PFL, o que lhe garante bom trânsito com a oposição.
Lobão contaria, ainda, com o apoio do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), que deu sinais de que disputaria o cargo, mas recuou. Suspeita de compra de votos em sua campanha à reeleição o desencorajou. No último dia 1º, antevéspera da eleição, a Polícia Federal em Boa Vista, capital de Roraima, apreendeu R$ 100 mil jogados de um carro que tinha acabado de sair do escritório de Jucá. Ele teve de ir à delegacia esclarecer o episódio.
Paralelamente, ganha força o nome de Eunício Oliveira, uma das principais lideranças do PMDB: ele é membro da Executiva Nacional há nove anos, foi duas vezes líder da bancada na Câmara, é ligado ao presidente da legenda e vice de Dilma, Michel Temer, e foi ministro do governo Lula.
Além disso, saiu fortalecido das urnas, como um dos responsáveis pela derrota de Tasso Jereissati (PSDB-CE), recebida como ''uma vitória'' pelo presidente Lula. Ele não admite a pré-candidatura, mas não descarta a hipótese se que seu nome seja indicado pelo partido. Em entrevista à Agência Estado, ele negou que o fato de estar no primeiro mandato o elimine da disputa. Afirma que após três mandatos de deputado federal, acumulou ''experiência de Congresso''.
Em outra frente, crescem os rumores de que o senador reeleito por Alagoas, Renan Calheiros (PMDB), estaria se movimentando para voltar à presidência.
O jogo ainda não começou efetivamente, porque o resultado da eleição presidencial influenciará a disputa, mas as peças estão sendo dispostas no tabuleiro. Eventual vitória de José Serra (PSDB) fortalece a indicação do senador eleito por Minas Gerais Aécio Neves (PSDB), que também foi presidente da Câmara.

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