Curitiba - Há duas semanas as sacolas de lixo doméstico se acumulam na frente das casas do município de Itaperuçu, na região metropolitana de Curitiba. Os caminhões que faziam a coleta deixaram de circular na cidade. Segundo o secretário de Finanças de Itaperuçu, Gerson Ceccon, o problema é resultado da crise econômica. ''Tivemos que reduzir o valor do contrato porque o município está com problemas financeiros'', justifica.
De acordo com o Ministério Público do Estado (MP), a história não é bem assim. O contrato da prefeitura com a empresa que realiza a coleta está sob investigação desde 2008. ''Um dos empresários envolvidos na coleta denunciou ao MP que parte dos recursos pagos eram entregues ao prefeito'', conta o promotor Alexandre Ramalho de Farias.
Segundo Farias, o empresário teria contado aos promotores que recebia os valores do contrato regularmente da prefeitura, mas era obrigado a entregar parte do dinheiro a representantes do prefeito José de Castro França (PMDB).
O secretário de Finanças diz que as denúncias são parte de uma represália contra a prefeitura. ''Por causa da crise tivemos que reduzir o contrato, que era de limpeza urbana, roçagem e coleta de lixo para só a coleta. Por isso é que estão retaliando'', justifica. Segundo Ceccon, na próxima segunda-feira o contrato com a empresa será encerrado por determinação da Câmara. ''A prefeitura vai assumir a coleta de forma emergencial até que o problema seja resolvido'', adianta.
O prefeito de Itaperuçu também é alvo de uma investigação do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce). ''Nós somos titulares da investigação na área cível. Já na área criminal a competência é do Nurce'', explica Farias. O delegado responsável pelo caso, Sivanei Gomes, não quis conversar com a reportagem.
Enquanto isso os moradores continuam a esperar pela coleta. Para o vice-presidente da Associação Comercial de Itaperuçu, Disney de Barros, a situação é crítica. ''É uma vergonha. Na minha rua o lixo está por todo lugar'', conta.

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