Agência Estado
De Brasília
Os organizadores da Marcha dos 100 Mil foram multados ontem em R$ 5 mil por causa do lixo largado pelos manifestantes na Esplanada. ‘‘Eles foram autuados por sujar área pública sem autorização’’, justificou o diretor de operações do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Expedito Apolinário Silva, ao informar que foram recolhidas 70 toneladas depois do protesto.
Considerando a estimativa da Secretaria de Segurança Pública de que no máximo 40 mil manifestantes teriam participado da marcha, cada pessoa teria deixado 1,75 quilo. ‘‘Papel não pesa tanto e não tinha marmitex’’, desconfia o presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal, José Zunga Alves de Lima, que recorrerá da punição na segunda-feira.
Lima exigirá também que a Monday Monday, patrocinadora da Micarêcandanga (o carnaval fora de época), e a Confederação Nacional da Agricultura, organizadora da manifestação dos ruralistas – duas atividades com público expressivo anteriores à marcha – comuniquem ao Ministério Público se também tiveram de pagar pelo lixo deixado em área pública.
O presidente da CUT quer comprovar a tese de discriminação e acusará o governo do Distrito Federal de ter agido ‘‘deliberadamente’’ para que a sujeira se instalasse e então punir os patrocinadores do ato contra o governo Fernando Henrique Cardoso.
Apolinário informou que o SLU instalou 45 latões de 200 litros cada um, todos no Teatro Nacional, local de estacionamento em que ficou parte dos ônibus que trouxeram os manifestantes. E que os latões foram encontrados vazios e virados. Em nenhuma outra parte da Esplanada havia latões do SLU.
Depois de ser palco da manifestação dos ruralistas durante uma semana, e da Marcha dos 100 Mil, a Esplanada dos Ministérios voltou ontem à rotina. Os carros puderam circular normalmente nas seis pistas existentes de um lado e de outro do canteiro central. Quando estavam em Brasília, os ruralistas estacionaram caminhões e tratores numa faixa de cada lado do Eixo Monumental.

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