Dois livros com a contabilidade de uma das duas empresas que oferecem o serviço de tanatopraxia (conservação de cadáveres) em Londrina, com o indicativo de pagamento de supostas comissões - de R$ 50 a R$ 1.000 - a servidores da Acesf, devem subsidiar novos indiciamentos na autarquia por parte do Gaeco. O material foi apensado semana passada ao segundo inquérito que investiga coação na oferta do serviço por parte de servidores da autarquia, e, nos próximos dias, será confrontado com as escalas de trabalho dos funcionários do órgão desde o ano de 2004.
Além dos livros com dados da empresa Tanato, de 2004 ao início deste ano, o delegado que conduz o inquérito, Alan Flore, anexou também aos autos 12 CDs com as imagens do circuito interno de segurança da firma e dois blocos com notas fiscais dos serviços de tanatopraxia: um grupo de 17 notas com valores de R$ 800 a R$ 1.700, de 2006, e um de 74 notas fiscais de 2007 com cifras entre R$ 500 e R$ 2.200.
De acordo com o delegado, os CDs e os livros com as anotações contábeis foram entregues espontaneamente por uma jovem que divide apartamento com a namorada de um dos funcionários da Tanato - o material, disse o policial, ''estava escondido lá''. A FOLHA ligou na empresa ontem à noite, mas ninguém atendeu.
Nos livros, há por diversas vezes aparece a inscrição ''comissão'' sucedida ora por um nome, ora por iniciais ou apelidos, como''Chaplin'' ou ''N. York''. ''Carlão'', por exemplo, recebeu, conforme as anotações, R$ 785 em 5/02/05. ''Mauro'' teria ficado, entre outros valores, com quantias como R$ 340,00 (27/12/04), de ''comissão'', e ''empréstimo e comissão'' de R$ 470 (2/2/05).
Apontamentos como ''festa Acesf'', ''churrasco Acesf'' e ''jantar acesf'' também constam dos livros, que trazem, ainda, apenas a inscrição ''Acesf'' para valores bem acima desses das supostas comissões (R$ 3.800 em 10/1/06, por exemplo).
''Como era necessário formalizar as outras cerca de 40 denúncias que recebíamos de familiares, instauramos esse novo inquérito em 28 de maio. Pelo material e pelos novos depoimentos, outras pessoas serão indiciadas com certeza'', disse o delegado. Sobre esses depoimentos, Flore citou aqueles de supostas vítimas de coação e constrangimento, que, mês passado, relataram novas situações. Em uma deles, por exemplo, a vítima - uma empregada doméstica - disse não ter dinheiro para pagar o valor da tanatopraxia sugerido pelo servidor da autarquia. Diante da negativa, o corpo que chegara às 15h teve de ser enterrado às 18h do mesmo dia - e com a roupa do irmão, que a tirara ali mesmo, na autarquia, para que o cadáver não ficasse despido.

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