Os jornalistas Maria Duarte, da Folha, e Milton Ivan Heller, ex-Estado do Paraná, lançam amanhã, às 17 horas, no salão nobre da Assembléia Legislativa, o livro ‘‘Memórias de 1964 no Paranᒒ. O livro fala da ditadura militar e conta uma série de fatos que na época não ‘‘vazavam’’ por conta da censura. Editado pela Imprensa Oficial do Estado, a obra faz ainda uma análise da política paranaense até a redemocratização, em 1983, quando José Richa foi eleito governador do Estado.
Após um resumo do cenário político brasileiro durante a gestação do golpe – quando Juscelino Kubitschek, Ademar de Barros, Carlos Lacerda e outros uniram-se para desestabilizar o governo João Goulart – o livro leva ao leitor histórias de deputados paranaenses que tiveram seus mandatos cassados e direitos políticos suspensos (em alguns casos, sem acusações consistentes).
Com o golpe, vieram os atos institucionais, a censura à imprensa, a suspensão do habeas corpus, a destituição de dirigentes sindicais, a repressão de movimentos estudantis, cassações de mandatos, confisco de bens dos acusados de enriquecimento ilícito. Muitas denúncias permanecem sem esclarecimento até hoje.
Na avaliação dos autores, a primeira vítima do regime no Paraná foi o ex-governador Moysés Lupion, que teve seus direitos suspensos e os bens confiscados ao ser acusado de corrupção. As alegações, segundo os jornalistas, não foram comprovadas e Lupion acabou sendo absolvido pela Justiça. Nem sequer foi denunciado na auditoria da 5ª Circunscrição Militar, conta o livro. Lupion jamais recuperou seus direitos políticos nem os bens (que incluíam a fábrica de papel de Arapoti e uma área florestal de aproximadamente três mil hectares).
O ex-deputado e médico Walter Pecóits, que atualmente mora com a família em Francisco Beltrão, foi preso em Cascavel, acusado de liderar uma rebelião de posseiros no Sudoeste. De acordo com o livro, Pecóits foi torturado e, ao receber uma coronhada no rosto, ficou cego de um olho. Isso gerou um longo processo judicial, movido pelo penalista René Ariel Dotti, que resultou no pagamento de uma indenização em pleno período militar.

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