Jorge Mosquera
De Curitiba
Nesta terça-feira completa-se um ano da morte de Maurício Fruet, jornalista, político (foi vereador, deputado estadual, prefeito de Curitiba e deputado federal por três mandatos), criador de carneiros, uma criança de 59 anos que deixou o Paraná mais pobre por ser de uma estirpe cada vez mais rara no País. Para homenageá-lo, o filho Gustavo, deputado federal pelo PMDB, entregou a tarefa de produção de um livro aos jornalistas Hugo Sant’Ana e Sandra Pacheco, ele colunista e ela editora de Política do jornal ‘‘O Estado do Paranᒒ, amigos de longa data de Maurício.
O resultado de um trabalho de puxar pela memória, ouvir dezenas de pessoas e checar versões sobre as brincadeiras do personagem é ‘‘Maurício Fruet, Um Brasileiro Cordial’’, livro a ser lançado às 18h30 de amanhã no Salão Nobre da Assembléia Legislativa, em Curitiba. É ocasião única para juntar, num mesmo ambiente, jornalistas, pecuaristas e políticos antípodas como Jaime Lerner, Roberto Requião, Alvaro Dias ou o Dr. Rosinha.
Os autores contam no livro, além de um emocionado texto de Gustavo, com a colaboração de outros dois amigos do homenageado: Mussa José Assis, diretor de Redação do ‘‘Estado’’, colega de jornal nos áureos e árduos tempos da ‘‘Última Hora’’, escreveu a orelha do livro, e Euclides Scalco, diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional, que com Maurício fundou o MDB ‘‘velho de guerra’’, encarregou-se do prefácio. Piadista, como lembrou o colunista da Folha de Londrina Luiz Geraldo Mazza, Maurício teria preferido que Scalco escrevesse a orelha do livro, dada a dimensão de seus pavilhões auditivos.
‘‘É um livro a seis mãos, pois a participação de Gustavo Fruet foi fundamental’’, diz Sandra Pacheco, amiga da família há mais de 20 anos. ‘‘Contamos a história e histórias de um político que tinha uma visão estratégica impressionante.’’ Foi ele, por exemplo, o primeiro deputado a lutar pelo pagamento de municípios que tiveram áreas alagadas pela Usina de Itaipu, a defender a anistia, a trabalhar pelas diretas. ‘‘Sua luta por uma Assembléia Nacional Constituinte vem dos anos 70, quando ele publicava um gibi’’, lembra Hugo Sant’Ana, secretário de Imprensa da Prefeitura de Curitiba na gestão de Maurício, entre 1983 e 1986.
Para quem conheceu Maurício Fruet ou tem dele apenas uma lembrança, o que é quase impossível em Curitiba, o livro é uma verdadeira viagem ao longo de 65 historinhas em que ele foi protagonista. Em muitas delas, os outros eram vítimas de suas brincadeiras, mas sempre o perdoavam. Há ainda a improvável receita do ‘‘carneiro afrodisíaco’’, que leva ‘‘pó de Muxumgum’’, na qual muito inocente ainda acredita.
A título de amostra, eis uma das histórias:
‘‘No tempo em que era ministro da Fazenda, nem Fernando Henrique Cardoso escapou das brincadeiras de Maurício Fruet. Comprador compulsivo de livros, certa vez o atual presidente da República chegou em casa depois do expediente e, entre a correspondência do dia, estava uma caixa de papelão que, ele imaginou, deveria conter livros.
‘‘Nesse momento, Dona Ruth chegou e disse que a caixa tinha sido entregue à tarde, por um portador, e que ela pagara duzentos reais. Fernando Henrique abriu a caixa e encontrou, muito bem acondicionados... dois tijolos de seis furos.
‘‘Ele e a mulher ficaram irritados, principalmente por causa do dinheiro perdido. Mas não contou para ninguém, até que alguns dias depois encontrou o deputado Maurício Fruet, de quem recebeu duzentos reais e uma recomendação a Dona Ruth, para que não pagasse mais por embrulhos que lhe fossem entregar em casa...’’

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