Livro relata bastidores do governo Lula
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de julho de 2006
Carlos Marchi<br> Agência Estado 
São Paulo - Terminado o primeiro turno na eleição de 1989, Luiz Inácio Lula da Silva foi pedir o apoio de Leonel Brizola no segundo turno e foi surpreendido por uma proposta heterodoxa do líder gaúcho, que meses antes o apelidara de ''sapo barbudo'' os dois deveriam renunciar à candidatura e apoiar Mário Covas, o quarto colocado na disputa pela Presidência, já que nenhum dos dois seria eleito pelas ''elites''. Lula recusou a proposta, mas obteve o apoio, revela o livro ''Do Golpe ao Planalto'' (Companhia das Letras), do jornalista, ex-assessor de imprensa do presidente Lula, Ricardo Kotscho, a ser lançado nesta amanhã, em São Paulo.
Muitos anos depois, Lula em quem Kotscho registra dificuldade para reconhecer os próprios erros confessaria ''o maior erro político'' da sua vida: não ter convidado Ulysses Guimarães para o palanque do segundo turno de 1989. Anos depois, passeando com Kotscho pelos jardins do Palácio da Alvorada, já presidente, Lula admitiu outro ''maior erro político'' da sua vida: ter mantido o ministro José Dirceu, após o episódio Waldomiro Diniz.
A narrativa de Kotscho, que tem a marca inconfundível de uma extensa reportagem, explica o rito de passagem desde a esperança sem poder, que ele, Lula e o PT acalentaram até 1998, a expectativa imediata de ganhar, a vitória e a chegada ao poder para Kotscho, a fase menos gloriosa e mais maçante, a ponto de provocar-lhe o fastio que o fez deixar o governo no início de 2005. A despeito da amizade, ele admite que a convivência com Lula no poder não foi nada fácil.
''Lula era seu próprio herói, não tinha ídolos nem modelos'', comenta. ''Lula nunca foi de falar clara e diretamente as coisas. As pessoas devem intuir o que ele está pensando'', sugere adiante. E para completar, dá a fórmula lulista de tomar decisões: ''Quando não lhe agrada decidir, ele joga o problema para depois.''


