Curitiba - Elogiado por alguns como o melhor governador que o Paraná já teve, a figura de Ney Braga (1917-2000) também é lembrada com rancor por outros, que associam o nome do ex-governador ao período da ditadura militar. As diferentes visões sobre o político morto há quatro anos estão presentes no livro ''Ney Braga - A Política como Arte'', escrito pelo jornalista Vanderlei Rebelo. O lançamento do livro será na próxima segunda-feira, na Assembléia Legislativa em Curitiba.
O livro é fruto de uma pesquisa de três anos que envolveu leitura dos jornais da época e entrevistas com familiares, jornalistas e políticos que conviveram com Braga. ''Quando comecei a pesquisar a biografia do Ney Braga, seu estado de saúde já estava precário. Mas felizmente tive acesso a ótimas fontes de informações, como o arquivo particular do ex-deputado federal Norton Macedo e do ex-presidente do Banestado Celso Sabóia, que continham vários documentos particulares e públicos sobre Ney Braga'', comenta Rebelo.
O livro retrata o ingresso de Ney Braga na carreira política como chefe da Polícia do Estado em 1952, a convite de Bento Munhoz da Rocha e a chegada ao governo do Estado em 1960. ''Esse foi um período em que Ney Braga adquiriu brilho próprio. Muitos dizem que esse foi o melhor governo que o Paraná já teve, e em muitos aspectos ele foi realmente revolucionário. Braga pegou um estado quebrado, onde a dívida era maior do que a arrecadação de um ano inteiro. Com uma reforma fiscal e políticas firmes, ele revitalizou a Copel, investiu na infra-estrutura e conseguiu industrializar o Estado, que então dependia apenas da venda do café'', explica Rebelo.
Os eventos que levaram Ney Braga a praticamente entrar em um ostracismo político durante a ditadura militar até a chegada do general Ernesto Geisel ao poder em 1974 também são contados. ''Já em 1975, Braga foi escolhido ministro da Educação e passou a comandar a política do Paraná à distância, escolhendo inclusive o governador que seria indicado pelos militares, Jayme Canet Júnior, à revelia da base da Arena no Estado na época'', afirma o jornalista.
É desse período que vem a imagem de Braga como símbolo da ditadura, quando em 1978 o então ministro decide se auto-indicar para assumir o comando do governo do Estado pela segunda vez. ''Além de fazer parte do governo militar, o governo dele foi muito mais fraco se comparado ao primeiro. Ele passou a adotar uma postura autoritária, indicando nomes para disputas eleitorais sem consultar o partido e adotando uma postura personalista'', relembra.

mockup