Lucilia Okamura
De Londrina
Parte da documentação apreendida quinta-feira, na empresa e na residência do empresário Cassimiro Zavierucha, o Carlos Júnior, poderá trazer novamente à tona a primeira denúncia de irregularidade na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb): a contratação irregular de 212 funcionários, em 97. Com um mandado de busca e apreensão, o MP e a Polícia Civil conseguiram documentos que comprovariam o uso de recursos públicos em campanha eleitoral. Carlos Júnior é apontado como tesoureiro da campanha do deputado Antonio Carlos Belinati (PSB), filho do prefeito Antonio Belinati (PFL).
No meio do material apreendido, o MP encontrou bilhetes endereçados à Comurb de pessoas encaminhando possíveis candidatos a emprego. Coincidentemente, os bilhetes foram enviados na época das contratações irregulares, entre janeiro e abril de 1997.
Entre as pessoas que enviaram bilhetes estão alguns vereadores e o ex-chefe de gabinete do prefeito, Francisco Mestre. Atualmente, ele é diretor da Câmara de Vereadores e afirmou que é normal encaminhar bilhetes com pedidos, já que está sempre recebendo pessoas à procura de um emprego. ‘‘Encaminho os currículos dessas pessoas; é uma forma de tentar ajudar’’, disse.
O MP irá analisar os bilhetes e verificar se há o envolvimento dos seus autores nas contratações realizadas em 1997 sem concurso ou teste seletivo. Em abril de 1998, o MP propôs abertura de uma ação civil pública, que tramita na 10ª Vara Cível. A ação é contra 52 pessoas, entre vereadores e ex-funcionários da companhia, acusadas de improbidade administrativa, danos ao patrimônio público, falsidade ideológica e falsificação de documentos.
A documentação apreendida com Carlos Júnior (como listas de gastos de campanha e de cabos eleitorais) é tão vasta que o delegado do 6º distrito policial, José Arnaldo Peron Martins, acredita que a sua triagem terminará somente na terça-feira. O material será juntado aos 13 inquéritos referentes às irregularidades na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e Comurb. Peron acredita que Carlos Junior poderá ser acusado de falsidade ideológica e desvio de recursos públicos.
Cópias da documentação ficarão com o MP para novas investigações. O promotor de Investigações Criminais, Cláudio Esteves, disse esperar que a análise do material apreendido não atrase a conclusão dos trabalhos, que culminará com o pedido de ações civis públicas.
Os trabalhos de investigação da promotoria tiveram início há mais de um ano e resultaram em vários inquéritos civis. Até agora, foi comprovado o desvio de R$ 16 milhões, sendo que grande parte foi usada em campanha eleitoral. Além de Antônio Carlos, também são alvo de investigação os deputados federais Alex Canziani (PSDB) e José Janene (PPB).
A divulgação de algumas informações contidas na documentação está atraindo várias pessoas 6º DP, onde o material está sendo triado. Entre os que estiveram na delegacia ontem estão os deputados estaduais José Maria Ferreira (PSDB) Orlando Pessuti (PMDB). O prefeito Antonio Belinati e o empresário Carlos Júnior não foram localizados ontem pela Folha.Escândalo registrado na Comurb em 97, 212 contratações sem concurso, está em listas que estavam em poder de Carlos Júnior
Fotos: Milton DóriaFARTA DOCUMENTAÇÃOO material encontrado provocou interesse de vários políticos. Entre os documentos estão, provavelmente, registros e listas de gastos de campanha manuscritos (abaixo), que agora serão analisados detalhadamente pelo Ministério Público.

mockup