Listas apontam desvios para campanha
Lucilia Okamura
De Londrina
Centenas de listas de despesas de campanha eleitoral de 98, recibos, livros-caixas, depósitos bancários, disquetes e outros documentos foram apreendidos pelo Ministério Público (MP) ontem de manhã, na casa e na empresa de Cassimiro Zavierucha, em Londrina. Conhecido como Carlos Júnior, ele é apontado como tesoureiro da campanha eleitoral do deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSB), informação que ele já negou em outras ocasiões. Todo o material comprova, segundo o MP, a utilização de recursos públicos em campanha eleitoral e o envolvimento de dezenas de pessoas no esquema. A pedido do Ministério Público (que investiga há mais de um ano irregularidades na administração pública municipal), o juiz da 4ª Vara Criminal de Londrina, Arquelau Araújo Ribas, expediu o mandado de busca e apreensão.
O promotor de Investigações Criminais (PIC), Cláudio Esteves, justificou que o mandado se deu porque Carlos Júnior é apontado por várias pessoas ouvidas pelo MP como tesoureiro da campanha de Antônio Carlos. Além disso, a promotoria tem documentos que comprovam que parte do dinheiro desviado dos cofres públicos (R$ 1 milhão) passou por contas bancárias do empresário. Nada mais lógico que verificar os documentos em seu poder, afirmou.
A apreensão aconteceu das 9h30 às 12 horas. Duas equipes foram designadas para o trabalho. O promotor criminal Janderson Camões de Carvalho Iassaka e o delegado do 6º distrito policial, José Arnaldo Peron Martins, foram à Construtora Célula, de propriedade do empresário, localizada na Rua Souza Naves (área central).
Outra equipe, do promotor Esteves e do delegado Valdir Abrahão, foi cumprir o mandado judicial na casa de Carlos Júnior, no Jardim Shangri-lá, zona oeste. Segundo Esteves, a maior parte da documentação apreendida estava em um escritório na casa de Carlos Júnior.
Todo o material foi encaminhado ao 6º DP para passar por uma triagem. O delegado Martins informou que, por causa do grande volume, não há prazo para a conclusão desse trabalho.
Carlos Júnior nega que seja tesoureiro do prefeito Antonio Belinati (PFL) ou do deputado Antônio Carlos. Apesar disso, um dos documentos apreendidos ontem comprova, segundo o MP, que ele foi um dos coordenadores da campanha de 98. Uma lista contendo itens de materiais de campanha (bonés, camisetas, porta-títulos, entre outros) distribuídos nos municípios da região traz na capa a inscrição Coordenador Carlos Jr..
Várias listas de pagamento de despesas de campanha também estão entre os materiais apreendidos. Nessas relações aparecem serviços como aluguel de som e despesas com comício, e dezenas de nomes que teriam trabalhado na campanha. Muitos vereadores e pessoas que participaram e que estão na administração municipal constam das listagens.
Passagens aéreas para países como Inglaterra, França, Áustria e Suíça também estão no material encontrado na casa do empresário. Chamam a atenção também duas notas fiscais de despesas internas do Hotel Gabrielli Sandwirth, em Veneza. Emitidas no dia 5 de junho de 98, as notas estão no nome de Carlos Júnior e de Antonio Belinati. Também foram apreendidos recibos de depósitos bancários para Antonio B.





