BRASÍLIA - Uma nova lista, com 46 nomes de pessoas que efetuaram saques de contas das empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes, no total de R$ 25,496 milhões, no período de 2003 e 2004, circulou ontem na CPI dos Correios. Ela é resultado das informações repassadas pelo Banco Central, pela quebra do sigilo bancário do Banco Rural.
A lista aponta 36 nomes e os valores sacados por indivíduo, em cheques, no total de R$ 21,044 milhões da agência de publicidade SMPB. Outros 10 nomes estão citados por saques em dinheiro, da conta da agência DNA, no valor total de R$ 4,452 milhões.
A maioria das pessoas identificadas pelo Rural sacou o dinheiro na agência de Brasília, por meio de um rito comum: a SMPB ou a DNA emitiam cheques administrativos em nome delas próprias e enviavam por meio de fax autorização para que terceiros retirassem a cifra. O deputado petista Josias Gomes (BA), apresentou sua identidade parlamentar ao sacar, em duas ocasiões, R$ 100 mil.
Estão nesta lista os 11 nomes apontados pelo empresário ao procurador-geral da República. A maioria não está identificada. Mas alguns estão com as correspondentes identificações, como, por exemplo, o contínuo da Previ, Luiz Eduardo Ferreira da Silva, que teria feito saque de R$ 326 mil (em dinheiro), a mando o ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolatto.
Estão identificados, por exemplo, o jornalista Gilberto Mansur, que fez o contato entre Marcos Valério e a revista ''IstoÉ Dinheiro''. Ao lado do seu nome está a quantia de R$ 300 mil. Entre os nomes já divulgados, a mulher do ex-presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha, Márcia Regina Milanesio Cunha tem a seu lado o valor de R$ 50 mil, sacado da conta da SMPB.
A assessora do ex-líder do PT deputado Paulo Rocha, Anita Leocádia Costa, tem R$ 470 mil, valor superior aos R$ 320 mil que tinham sido divulgados. O maior volume sacado, individualmente, da SMPB, de R$ 4,9 milhões, está atribuído a Davi Rodrigues Alves, que tem identificação na lista como policial civil de Minas Gerais ''suspeito de ter ligações com Aécio Neves-PSDB'', ou seja, com o governador mineiro.
O segundo maior, de R$ 1,150 milhão, é atribuído a João Cláudio Genu, assessor do líder do PP na Câmara, deputado José Janene (PR). Já na lista de saques na conta da DNA, em dinheiro, o maior volume é do próprio Marcos Valério, no valor de R$ 1,271 milhão. Outro da lista é Benoni Nascimento Moura, saque de R$ 255 mil da DNA, identificado pela assessoria da CPI dos Correios como ''dono da corretora BonVal'', de SP, que emprega a filha de José Janene.
Também na conta da DNA está Francisco Marcos Castilho Santos, sócio de Marcos Valério, com R$ 100 mil.

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