Uma das primeiras consequências legais das declarações do ex-vereador Orlando Bonilha (PR) ao Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) poderá ser a ampliação da denúncia criminal relacionada ao processo que ficou conhecido como ''lista do Caldarelli''. No início de abril, o ex-vereador e os vereadores afastados Osvaldo Bergamin (sem partido) e Renato Araújo (PP) foram acusados de concussão e formação de quadrilha por terem, supostamente, coagido o empresário Marcelo Caldarelli a pagar propina para aprovação de um projeto de lei que o beneficiou com a doação de um terreno às margens do Lago Igapó I.
Um dos documentos anexados ao processo é uma lista com os nomes de nove vereadores, escrita por Renato Araújo, com valores anotados à frente de cada um. Supostamente, a lista explicitaria os parlamentares que teriam recebido propina para votar favoravelmente ao projeto.
Quando o caso foi levado à Justiça, no início de abril, os promotores afirmaram que os outros seis vereadores citados na lista não foram denunciados porque faltava um segundo elemento comprobatório contra eles. Fontes da FOLHA asseguram que o depoimento de Bonilha, afirmando que a lista é verdadeira, fechou o cerco contra eles.
O ex-vereador - que à época era presidente da Câmara - reconheceu ao MP e à imprensa que recebeu R$ 6 mil pelo apoio ao projeto e afirmou que os outros vereadores receberam os valores (R$ 3 mil) que aparecem à frente de seus nomes. Os parlamentares que podem ser denunciados nas próximas semanas, por meio de um aditamento à ação que tramita na 3 Vara Criminal, são: o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), o líder do Executivo, Gláudio Renato de Lima (PT), o corregedor Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), o vereador Jamil Janene (PMDB), o vereador Flávio Vedoato (PSC) e o ex-vereador Henrique Barros (sem partido).
Na Câmara, a possibilidade de reabertura do caso Caldarelli gerou ontem um clima de apreensão. Nos corredores e gabinetes o comentário geral se referia ao depoimento que Bonilha prestava a poucos metros dali, no prédio do MP.
Um vereador que pediu para não ser identificado contou à reportagem que havia ''uma espécie de velório no ar'', mesmo porque, lembrou, o advogado de Bonilha, Ronaldo Neves, é o mesmo de Osvaldo Bergamin (sem partido), vereador afastado, prestes a ser investigado em Comissão Processante (CP), e um dos nomes cogitados nos bastidores do Legislativo a suceder o colega cassado no esquema de delação premiada com o MP.
Todos os vereadores que aparecem na lista do Caldarelli, em entrevista à FOLHA e durante o inquérito policial, negaram participação em irregularidades. (Colaborou Janaina Garcia)

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