Brasília - Depois de analisar o depoimento do empresário Luiz Antonio Trevisan Vedoin à Justiça de Mato Grosso, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) disse ontem que os envolvidos com a máfia das ambulâncias devem chegar a 100. Desses, 90 têm mandato. Os outros dez, foram parlamentares. Até agora a CPI trabalhava com 57 nomes.
A CPI dos Sanguessugas começou a notificar ontem mais 42 parlamentares supostamente envolvidos com a máfia das ambulâncias. Os nomes foram encaminhados à comissão pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, na última quinta-feira. Hoje encerra o prazo para que os 15 primeiros notificados encaminhem suas defesas.
Segundo a assessoria da CPI, do primeiro grupo, nove já apresentaram suas explicações por escrito. Faltam seis se manifestarem. A CPI decidiu que irá ouvir os parlamentares acusados de receber propina em troca de apresentar emendas ao Orçamento para compra de ambulâncias apenas por escrito. Caberá aos Conselhos de Ética da Câmara e do Senado, depois ouvi-los pessoalmente, decidir se serão abertos processos de cassação de mandato.
A maioria dos envolvidos, segundo Gabeira, é das bancadas do Rio de Janeiro, do Mato Grosso e evangélica. O deputado voltou a confirmar que apenas três dos acusados são senadores. Os demais são deputados.
Conforme Gabeira, Vedoin citou no depoimento o número de contas de parlamentares que receberam propina da Planam por terem destinado emendas ao Orçamento para a compra de ambulâncias. E explicou que nem todos os depósitos foram via bancos. Segundo ele, alguns parlamentares receberam em espécie.
''A lista é maior do que nós tínhamos, mas não podemos afirmar que todos são culpados'', disse o deputado.
Gabeira confirmou que o ex-senador Carlos Bezerra (PMDB-MT) está entre os citados. Ele foi presidente do INSS no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deixou o cargo depois de denúncias de compra superfaturada de computadores e equipamentos para o órgão. Além de Bezerra também já foram vazados os nomes dos deputados Nilton Capixaba (PTB-RO), João Caldas (PL-AL), Pedro Henry (PP-MT) e Wanderval Santos (PP-SP).
Na próxima semana, a CPI deverá tomar o depoimento de Luiz Antonio Trevisan Vedoin. Apesar de alguns membros considerarem desnecessário, o presidente da CPI, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), disse ontem ser importante ouvir Vedoin independentemente do depoimento que ele prestou à Justiça Federal.
Biscaia chegou ontem em Brasília e hoje deverá se reunir com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, para pedir novamente a retirada do sigilo das investigações. Somente desta forma, a CPI estará autorizada a divulgar os nomes dos envolvidos.

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